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Tecnologia na educação infantil: histórias de sucesso

Veja como uma cidade melhorou o aprendizado de crianças carentes com a ajuda da tecnologia, e como seus conceitos são ensinados desde cedo aos pequenos na China.

Se a presença da tecnologia já não é nenhuma novidade nas salas de aula de ensino superior, médio e fundamental, o que dizer das novidades eletrônicas na educação infantil? Será que existe uma idade mínima para começar a colocar as crianças em contato com a tecnologia?

Diversas propostas ao redor do mundo têm mostrado uma tendência clara: a tecnologia pode ser uma ajudante de peso na hora de educar os mais novos, abrindo possibilidades de estudo para crianças carentes e ‘semeando’, desde cedo, o interesse e a curiosidade em relação a matérias complicadas. São estes os exemplos que vamos apresentar a seguir.


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DIMINUINDO O GAP DE CONHECIMENTO ATRAVÉS DA INTERNET

educação na pré-escola

Ao longo das últimas décadas, tornou-se indiscutível o benefício que a pré-escola traz à formação intelectual das crianças. Resultados de estudos realizados no mundo inteiro mostram que quem fez um ano pré-escolar teve notas melhores em habilidades linguísticas, de leitura e de matemática, quando comparados com alunos que começaram os estudos diretamente no 1º ano.

Que a pré-escola é muito importante, isso todos sabemos. O que fazer para oferecer, então, opções de educação para crianças nessa faixa etária quando não há escolas perto de onde elas moram?

Era exatamente esta situação que ocorria no estado de Utah, nos Estados Unidos. Em uma área gigantesca, de 20 km² (aproximadamente a distância entre as cidades de São Paulo e Campinas), na porção sudeste do estado, viviam apenas 220 crianças em idade pré-escolar. Não havia uma escolinha sequer por perto para matriculá-las. Porém, o estado não queria que elas entrassem no 1º ano do Fundamental sem saber o básico para seguir bem no ano letivo.

Muitas crianças estavam chegando ao 1º ano do Fundamental sem saber como se comportar em sala de aula. A maioria não conseguia se manter quieta nas carteiras. Muitas nunca tinham visto letras, números, o alfabeto. Alguns não sabiam nem mesmo falar inglês…

A ideia dos governantes foi empregar a tecnologia para educar essas crianças. Já que não havia escolas, então que o computador ajudasse a ensinar o conteúdo básico para as crianças.

AULAS VIRTUAIS DE PRÉ-ESCOLA

Para isso, foi desenvolvido um projeto chamado UPSTART, em parceria com o instituto filantrópico Waterford. O projeto criou programas de computador, acessados via internet, voltados a crianças na faixa dos 4 anos de idade.

Através de gráficos atrativos, sons animadores (‘Muito bem!’, ‘Você está no caminho certo, continue assim!’) e brincadeiras digitais, as crianças aprendem como soletrar seu nome, o que é o alfabeto, como cantar músicas tradicionais e outros tópicos tradicionais de pré-escola. Tudo para chegar ao 1º ano preparadas para a sala de aula.

O governo de Utah comprou computadores e forneceu acesso à internet às famílias das crianças que não podiam pagar pelo serviço. Era requerido que os pais ou cuidadores passassem pelo menos 15 minutos por dia utilizando o programa junto às crianças, 5 vezes por semana.

De acordo com um relatório divulgado este mês, todas as crianças que participaram do projeto UPSTART e utilizaram o software mostraram ganhos duradouros em aprendizado. Elas chegaram à escola mais bem preparadas e mostraram notas melhores do que as crianças que não fizeram pré-escola, tanto ‘real’ quanto virtual. Beneficiaram-se crianças cujos pais não sabiam falar inglês, crianças de baixa renda, de renda média e alta – todas, enfim, foram bem educadas com a ajudinha da tecnologia.

PROGRAMAÇÃO DESDE CEDINHO

A tendência de utilizar a tecnologia na pré-escola não se limita a ajudar quem não tem recursos para frequentar uma escola ‘física’. Ela é capaz, também, de criar hábitos que podem se tornar habilidades úteis à futura vida profissional.

Uma dessas ideias está sendo aplicada com sucesso na China. Lá, a importância que pais e mães dão à educação dos filhos é grande. Afinal, em um país tão populoso, destacar-se no complicado mercado de trabalho exige comprometimento desde pequeno.

Buscando um diferencial para seus filhos, muitos pais e diversas escolas no país estão oferecendo aulas de programação às crianças. Classes com pequenos de 5 anos de idade já são uma realidade na China.

“As escolas da China têm aulas de TI e algumas até ensinam programação, mas essas aulas estão em segundo plano em relação a outras matérias que determinam como os estudantes são classificados de acordo com seu desempenho acadêmico”, disse Wu Pei, professora de programação, em entrevista à Bloomberg. “Eles não se dão conta que o ensino de programação é algo que será muito importante para o futuro”.

O ‘TABULEIRO DA PROGRAMAÇÃO’

Uma maneira interessante de ensinar os primeiros conceitos de programação aos pequenos é familiariza-los com um tabuleiro simples, de 3 casas por 3. A seguir, ensina-se como identificar posições, usando ‘comandos’ como esquerda, direita, para cima e para baixo.

O próximo passo é ensinar como localizar um ponto no tabuleiro através de um sistema numérico, de coordenadas. Quando as crianças entenderem tais conceitos, entra em jogo a diversão. O professor chinês ensina, então, joguinhos que se baseiam nos sistemas cartesianos de coordenadas X e Y, e depois deixa que os alunos desenvolvam suas próprias brincadeiras.

Com um pouquinho mais de experiência, as crianças são estimuladas a projetar as brincadeiras em sistemas eletrônicos, utilizando computadores e tablets. Programas como o Scratch – projeto do MIT Media Lab para ensino de programação – são muito populares nas escolinhas chinesas.

“Ensinar a nova geração a programar é algo que deveria ser elevado a uma importância nacional estratégica”, disse Wang Jiulin, criador do Kidscode.cn, um site que compartilha informações e cursos educativos gratuitos. “Ainda hoje, a maioria dos programadores da China é capaz de realizar apenas tarefas de nível muito básico e existe uma enorme demanda por programadores de alto nível”.

Seja para ensinar desde cedo os complexos meandros do mundo da programação, seja para ensinar conceitos básicos àquelas crianças que não tem acesso fácil à educação, a tecnologia vem sendo empregada cada vez mais cedo nas salas de aula. Ela auxilia professores e educadores a unir o mundo lúdico dos pequenos aos avanços tecnológicos que já rodeiam suas vidas, e que serão parte cotidiana de suas vidas quando crescerem. Ao juntar educação com diversão, professores que utilizam a tecnologia têm em mãos ferramentas poderosas para educar uma geração cada vez mais digital.