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Ser criança: 3 lições que reaprendi em sala de aula

Reaprender a ser criança pode ser a melhor coisa para nos desenvolvermos profissionalmente

Opa, tudo certo?

Sou professor de química desde 2013 e nesses anos de experiência uma preocupação constante minha era (e continua sendo): Como posso melhorar como profissional?

Fiz alguns cursos livres, estudei por conta própria, li alguns livros e a conclusão a qual cheguei pode parecer um bocado estranho a princípio, mas para ser um melhor professor, é importante sermos melhores crianças.

Sim, exatamente isso: um bom professor muito provavelmente ainda é uma boa criança.

Pode parecer estranho quando se escuta isso, mas pretendo explicar melhor até o final do texto.

Quando se fala em criança, o que vem a sua mente? Uma criança arteira, que apronta todas? Ou alguém que não para de chorar? Talvez aquele serzinho que não quer almoçar e ir direto pra sobremesa.

Não tenho como discordar de você, toda criança tem esses momentos de “dar trabalho”.

Mas também há outras características excelentes que as crianças apresentam e que, em geral dão um show em nós adultos, parece que são pontos que costumamos a desaprender com o passar do tempo, mesmo sendo bem importantes pra vida como um todo.

Eu estou falando de: criatividade, curiosidade e aceitação do erro.

Vamos então falar de cada um dos itens listados acima, para isso eu convido você leitor a puxar na memória lembranças que possam ir de encontro com cada ponto abordado.

Criatividade

Me lembro que quando criança eu elaborava vários roteiros dignos dos melhores filmes de ação com meus “hominhos” do S.O.S comandos em ação até cenário eu montava para as batalhas épicas que criava.

Me lembro também de adorar ir à praia e fingir que as ondas que vinham até mim eram monstros e que eu precisava dar chutes, socos e cabeçadas nelas para então poder vencer as temíveis criaturas.

E você leitor? Quais brincadeiras você criou na infância? O que te divertia?

Depois de puxar algumas boas memórias juvenis do baú deve pensar algo assim: OK Victaum, crianças são criativas, mas como essa criatividade pode me ajudar em sala de aula?

Uai meu querido leitor, pare e pense, a partir do momento que você alimenta sua criatividade tudo pode ser material para uma aula fantástica.

Animes, séries, filmes, games, livros de romance ou até um local qualquer pode despertar uma ideia para uma aula mega interessante.

O que por consequência poderá aguçar a criatividade e a curiosidade de seus estudantes para o conteúdo abordado em aula.

Aliás, esse é outro ponto importante a se falar né?

Curiosidade

Por acaso você conhece algum serzinho mais curioso do que uma criança? Vejo hoje o homem mais lindo do mundo (entende-se como sendo meu sobrinho. 😀 ) a todo instante perguntando: “O tio, como aquilo funciona?”, “O tio porque isso acontece dessa forma”, O tio, o tio, o tio… 🙂

Acredito que meu sobrinho não seja o único a fazer essas perguntas né? Afinal, eu também fui desse jeito e muito provavelmente você foi questionador e hoje conhece algum serzinho que é também. To errado?

Vejo a curiosidade como sendo o motor do conhecimento, se algo provoca inquietação em sua mente você vai querer estudar e entender o como aquilo funciona ou o porque aquilo acontece ou então o que você pode fazer para que determinada coisa dê certo.

“como professor devo saber que sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino”.

Paulo Freire. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.

Em outras palavras, essa coceira que dá de querer saber das coisas é de tamanha importância não só para o professor quanto também ajuda e muito o aluno, uma vez que ambos, ao terem essa curiosidade científica podem expandir os conhecimentos, desenvolvendo pensamento crítico e o protagonismo de seu processo de aprendizagem.

Lembrete: de nada adianta ser um professor curioso e não colocar nada em prática por receio de errar, ou do que as pessoas pensam.É necessário coragem para arriscar o novo, e esse é o terceiro ponto que uma criança acaba dando show em nós adultos.

Coragem de errar

“Mãe, por que a banana prata é amarela?” (Luiz Felipe, 4 anos)

“Mãe, por que feijão tem ferro se ele é mole?” (Pedro, 5 anos)

“Mamãe, por que a gente não escuta o que a gente tá pensando?” (Cecília, 3 anos)

Essas frases retiradas da página “frases de criança” no facebook exemplificam bem o que quero dizer com coragem de errar.

Essas são dúvidas que às vezes nós na idade adulta temos curiosidade de saber porém evitamos perguntar com medo de parecermos idiotas ou burros.

As crianças não tem isso, se elas tem alguma dúvida, elas perguntam, se querem fazer algo, simplesmente vão lá e fazem e caso dê errado, vão lá e tentam diferente.

Essa iniciativa é importante e faz toda diferença no crescimento da criança, mas por motivos variados, quando nós “adultecemos” deixamos pra trás, ficamos receosos em perguntar o que queremos saber, deixamos de arriscar aquilo que queremos fazer, e assim seguimos a vida.

Retomar essa coragem é fundamental para melhorar sua atuação em sala de aula, pois nada adianta ser curioso, criativo, ter ideias inovadoras, porém não ter coragem de arriscar e colocá-las em prática.

Além disso, como uma vantagem bônus vem a criação de um ambiente mais tranquilo e seguro para seus alunos se sentirem confortáveis em arriscar mais e assim, melhorarem seus aprendizados sobre a disciplina.

Conclusão

Então são esses os três pontos que gostaria de apresentar a você como sendo aqueles que nós desaprendemos conforme o tempo passa e que, na minha crença, ao despertarmos nossa criança interna, podemos sim retomar o desenvolvimento delas e melhorarmos como pessoas e profissionais.

Existe outro ponto que nós não é que desaprendemos, mas começamos a reservar um certo momento pra ele, que é a diversão.

Conforme vamos crescendo nós começamos a separar momento de trabalho, estudo e momento de nos divertir.

Mas deixo aqui a reflexão à você: Será realmente necessário fazer essa distinção entre esses momentos? Será que nós não podemos nos divertir durante o trabalho? Essa mistura não poderia deixar o trabalho mais leve e gostoso?

E aí, curtiu o artigo de hoje? O texto fez sentido pra você?

Comenta aí embaixo como que está a sua criança interna e se você se diverte durante o trabalho ou não.

Po-po-por enquanto-to é isso pe-pe-pessoal.

Abraços.