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Sala de aula invertida: o que é, exemplos e como fazer

A sala de aula invertida, ou flipped classroom, é uma metodologia ativa de ensino que fica embaixo do Ensino Híbrido. Ele mistura o on-line e o off-line como ferramenta para potencializar o trabalho do professor e o aprendizado dos alunos.

O que é uma aula invertida

Imagine a seguinte cena: você chegando pra dar aula de manhã, seus alunos na sala. Todo mundo já estudou em casa o tema de hoje.

E os 45 minutos de aula?

Bem, você usaria para fazer atividades, tirar dúvidas, fazer trabalhos, ou até mesmo trabalhar em cima de um projeto bimestral.

Meio estranha essa ideia né? Qual a chance disso funcionar em uma escola?

E se a gente te contasse que já tem gente fazendo isso pelo Brasil e pelo mundo?!

A prática de hoje vai te apresentar a Sala de aula Invertida e como você pode aplicá-la em sua aula.

Mas antes de inverter a aula, vamos entender o que está por trás de tudo isso!


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Como surgiu a aula invertida

O conceito de Sala de aula Invertida vem da ideia de inverter a lógica tradicional de aula.

Fazendo em casa o que é feito em sala, como assistir uma aula expositiva. E fazer em sala o trabalho que era feito em casa, como: fazer atividades, trabalhos escolares, projetos, etc.

Esse conceito começou a ser desenvolvido já na década de 90, com autores como Eric Mazur, em “Peer instruction: User’s manual” e Gregor Novak em “Just-in-time Teaching”.

Eles pregam que o aluno já deva vir estudado para aula, tendo o primeiro contato com o tema em casa. Aproveitando o tempo de aula com o objetivo de potencializar seu aprendizado.

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Créditos da foto: Scott L. Huck/Cedarville University

No ano 2000, aliado a popularização da internet, o termo ganhou forças graças a J. Wesley Baker em seu trabalho “Flipped Classroom”.

Desde então, universidades americanas, como Duke, Stanford, Harvard, testaram e aprovaram o conceito de Sala de aula Invertida. Tornando-o uma tendência em vários países como Finlândia, Singapura, Holanda e Canadá (SCHMITZ, 2016).

Um conceito do Ensino Híbrido

Sala de Aula Invertida vem de um guarda-chuva maior em educação, o chamado Ensino Híbrido (b-learning). Ensino Híbrido é uma metodologia ativa que se caracteriza por mesclar dois modos de ensino:

  • online, em que geralmente o aluno estuda sozinho, aproveitando o potencial da internet;
  • offline, momento em que o aluno estuda em grupo, com o professor ou colegas.

Existem dois modelos de ensino híbrido: os sustentados e os disruptivos.

Os sustentados são conhecidos como: “rotação por estações”, “laboratório rotacional”, “rotação individual” e “sala de aula invertida”.

Já os disruptivos são: “modelo flex”, “modelo à la carte”, “modelo virtual enriquecido”.

Invertendo sua aula!

O processo de inversão da sala de aula exige do professor dois aspectos importantes:

  1. Um bom planejamento de aula, conectando as habilidades e conteúdos a serem desenvolvidos na aula;
  2. Um olhar atento ao que já existe na internet de videoaulas, slides, textos, ou seja, materiais educativos.
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Foto por: Jerrit Peinelt em Unsplash

1º passo – Estruturar o que vai ser trabalhado

O primeiro passo é estruturar os conteúdos que serão trabalhados em sala.

O ideal é organizar estes conteúdos em um ambiente online. Assim os alunos podem acessar no tempo deles, quando eles quiserem e quantas vezes quiserem.

Para isso, existem ferramentas como o Sílabe, que é gratuito e te permite criar aulas online. Dentro dele é possível conectar conteúdos externos como vídeos, slides, textos e aplicar atividades que são corrigidas automaticamente.

2º passo – Curadoria de conteúdo

O segundo passo é fazer uma curadoria dos conteúdos já existentes na internet. Existem plataformas como Khan Academy e o YouTube que são verdadeiros pólos de bons vídeos educativos.

Inclusive já fizemos um post no blog do Sílabe falando sobre os 5 melhores canais educacionais no YouTube.

Além de usar vídeos, é possível estimular as diferentes formas de aprendizado conectando conteúdos como imagens, textos, slides e questões.

Lembrando que caso você não encontre nada de qualidade na internet, é possível criar seu próprio conteúdo.

3º passo – Preparar a aula

Depois de estruturar o que os alunos aprenderão online, é hora de planejar o que será feito no tempo de aula.

Para isso, um bom roteiro de atividades, projetos, ou trabalhos que se conectem com o que o aluno viu pela plataforma é fundamental.

Mais abaixo traremos algumas experiências de professores que conseguiram fazer essa conexão, unindo o ambiente online e offline.

Por fim, é sempre importante lembrar que para dar certo, os alunos precisam acreditar que essa nova proposta vai ser boa para eles.

Sem uma abertura ou engajamento efetivo deles, vai ser muito mais difícil obter bons resultados e ao invés de ajudar a nova metodologia passa dificulta a aprendizagem.

Conheça a prática da professora Jorgelina Tallei sobre Podcasts e Sala de Aula Invertida!

Exemplos Práticos de Sala de Aula Invertida

Agora que entendemos o que é, como surgiu e como aplicar a sala de aula invertida, vamos a exemplos ainda mais concretos. Assim você já aplicar amanhã a sala de aula invertida.

Invertendo uma aula de humanas

Acompanhe o depoimento da professora Vanessa Bolina, do colégio Objetivo Sorocaba em uma aula sobre regras de acentuação.

Primeiro ela organizou na plataforma vídeos, textos, slides, etc. para que os alunos estudassem em casa sobre o tema.

Depois, já em sala, ela fez uma revisão sobre o que foi visto num modelo interativo de pergunta e resposta, colocando todos os alunos na mesma página.

Em seguida, para promover ainda mais dinamismo na aula, ela trouxe um Quizz de acentuação para ser respondido em grupo.

Por fim colocou uma atividade para ser respondida na plataforma.

Invertendo uma aula de exatas

Em uma aula de Física, sobre Movimento Uniforme, Velocidade Escalar Média, ou até sobre lançamento horizontal (e oblíquo), é possível levar os alunos a campo, num laboratório de ciências ou na quadra da escola para estudar esses fenômenos acontecendo.

Para isso, é preciso organizar na plataforma vídeos, textos, slides, etc. para que os alunos possam estudar em casa o tema da aula.

Depois, fazer uma revisão sobre o que foi visto (retomando as fórmulas, conceitos, tirando dúvidas) com o objetivo de colocar os alunos na mesma página.

Para então, ir a campo observar e calcular esses fenômenos, utilizando ferramentas como fita métrica, cronômetro e câmera do celular.

Invertendo uma aula de biológicas

Também é possível trazer um modelo menos complexo de aula, trazendo somente o que seria feito em casa para a sala.

Como por exemplo, numa aula de Biologia sobre genética.

É possível utilizar recursos multimídia como vídeos, modelos 3D e animações para que os alunos consigam visualizar melhor como funciona a genética.

E utilizar o tempo de aula para fazer exercícios em grupo ou individualmente, tirar dúvidas, fazer uma revisão ou até mesmo montar grupos de estudos.

Veja como a Prof.ª Leandra usou Sala de Aula Invertida, Mapas Conceituais e Fishbowl para ter resultados incríveis na sua aula!

Referências

  1. What is the Flipped Classroom model, and how to use it?
  2. Elieser Schmitz (2016). Sala de aula Invertida.
  3. Eric Mazur. Peer instruction: User’s manual.
  4. Gregor Novak. Just-in-time Teaching.
  5. The “Classroom Flip”: Using Web Course Management Tools to Become the Guide by the Side.
  6. Luísa Miranda (2005). Educação online: interação e estilos de aprendizagem de alunos do ensino superior numa plataforma web.
  7. Clayton M. Christensen, Michael B. Horn, e Heather Staker (2013). Ensino Híbrido: uma Inovação Disruptiva? Uma introdução à teoria dos híbridos.
  8. YouTube Educação e os 5 melhores canais educacionais
  9. Luciano Dias da Silva. A sala de aula invertida (na prática)
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