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Rotação por estações: guia completo, por duas professoras

Conheça o guia escrito pelas professoras Leandra Vale e Valéria Silva, mostrando por em prática a técnica de rotação por estações, do Ensino Híbrido!

– Baixe o Plano de aula de rotação por estações da professora Leandra Vale

Diferentes Estilos de Aprendizagem

Você professor, já reparou que existem diferentes formas de ensinar e aprender um determinado conteúdo em uma disciplina?

Essa forma individual de adquirir conhecimento é conhecida como Estilo de Aprendizagem. Assim o aprendizado é único e individual.

Bom, se você já entendeu isso, mas ainda não sabe como resolver, você está no lugar certo! A prática de hoje, vai te mostrar como usar a técnica de Rotação por Estações, do Ensino Híbrido.


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A teoria VARK

Cada aluno possui uma estratégia diferente para o seu processo de aprendizagem. Estas estratégias são chamadas de Estilos de Aprendizagem, as quais, de acordo com Cerqueira (2000, p.36 apud SALDANHA et.all.) é:

“O estilo que um indivíduo manifesta quando se confronta com uma tarefa de aprendizagem específica. (…) uma predisposição do aluno em adotar uma estratégia particular de aprendizagem, independentemente das exigências específicas das tarefas”.

Na literatura, existem várias teorias acerca dos estilos de aprendizagem. Sendo a VARK uma das principais.

A teoria VARK divide o aprendizado dos estudantes em 4 categorias: visual, auditivo, leitor e escritor e cinestésico – tradução livre.

VARK-estilos-de-aprendizado

É importante deixar claro que uma pessoa pode ter mais de um estilo de aprendizagem, mas sempre um mais dominante.

E também que, nenhum método é eficiente sozinho e quando combinados podem trazer resultados mais eficientes.

Se você quer conhecer o seu estilo de aprendizagem ou de seus alunos, faça o teste disponível gratuitamente.

Uma metodologia do Ensino Híbrido

– Bom, então, já conhecemos os estilos de aprendizagem e o que eles tem a ver com o Ensino Híbrido?

– É simples! O Ensino Híbrido envolve o uso de tecnologias com foco na personalização das ações de ensino-aprendizagem.

– Bingo! Então, para atender aos diferentes estilos de aprendizagem podemos usar diferentes tecnologias?

– Isso mesmo! E daí que entra a possibilidade de uso de uma das metodologias do Ensino Híbrido: a Rotação por Estações.

O Ensino Híbrido é uma metodologia ativa que se caracteriza por mesclar dois modos de ensino:

  • Online: o aluno possui controle sobre algum elemento do seu estudo, como o tempo, modo o ritmo ou o local;
  • Offline: deve ser realizado na escola, e pode ter vários momentos diferentes.

Nesse sentido, a ideia é que a parte on-line e off-line se conectem e se complementem, proporcionando diferentes formas de ensinar e aprender.

Existem vários modelos de ensino híbrido: os sustentados e os disruptivos.

Os sustentados são conhecidos como: “rotação por estações”, “laboratório rotacional”, “rotação individual” e “sala de aula invertida”.

Já os disruptivos são: “modelo flex”, “modelo à la carte”, “modelo virtual enriquecido”.

Baixe o Plano de aula de rotação por estações da professora Leandra Vale

Como funciona a Rotação por Estações

Para quem deseja conhecer mais e se aventurar no Ensino Híbrido, recomendo o livro:

Ensino Hibrido. Personalização e Tecnologia

Ensino híbrido: personalização e tecnologia da educação é um livro feito por professores para professores. Resultado das reflexões dos participantes do Grupo de Experimentações em Ensino Híbrido desenvolvido pelo Instituto Península e pela Fundação Lemann, este livro apresenta aos educadores possibilidades de integração das tecnologias digitais ao currículo escolar. Disponível em: Amazon

Nesse livro, por exemplo, é possível encontrar uma definição bem legal sobre rotação por estações:

No modelo “Rotação por estações”, os alunos são organizados em grupos, cada um dos quais realiza uma tarefa, de acordo com os objetivos do professor para a aula planejada.

Podem ser realizadas atividades escritas, leituras, entre outras. Um ou vários dos grupos podem estar envolvidos com propostas on-line que, de certa forma, independem do acompanhamento direto do professor.

Neste modelo é importante valorizar momentos em que os estudantes possam trabalhar de forma colaborativa e aqueles em que possam fazê-los individualmente.

Em um dos grupos, o professor pode estar presente de forma mais próxima, garantindo o acompanhamento de alunos que precisam de mais atenção.

A variedade de recursos utilizados, como vídeos, textos, trabalho individual ou colaborativo, entre outros, também favorecem a personalização do ensino, pois, como sabemos, nem todos os alunos aprendem da mesma forma.

Bom, após um determinado tempo, previamente combinado com os alunos, eles trocam de grupo, e esse revezamento continua até todos terem passado por todos os grupos.

O planejamento desse tipo de atividade não é sequencial, e as tarefas realizadas nos grupos são de certa forma independentes, mas funcionam de forma integrada para que, ao final da aula, todos tenham tido a oportunidade de ter acesso ao mesmo conteúdo sob diferentes formas de aprendizagem.

Quais resultados podemos esperar da rotação por estações?

  • Mudança no papel do professor
  • Aprendizagem eficiente respeitando os estilos de aprendizagem
  • Um feedback mais assertivo da aprendizagem do professor aos alunos
  • Desenvolvimento da autonomia no aluno

Rotação por Estações no ensino de “Frações”

O objetivo geral dessa prática é fazer com que os alunos experimentem diversas formas de aprender um mesmo conteúdo.

Para entender com mais clareza, vou te mostrar a prática no contexto de uma aula de frações, em que os alunos tem por objetivo conseguir relacionar os conceitos apresentados às práticas cotidianas, mas é claro que você pode adaptar para realidade da sua matéria.

Para atingir o objetivo proposto, vários materiais didáticos serão utilizados como lousa, vídeo aulas, jogos online, jogos pedagógicos, materiais de uso cotidiano que envolva frações, textos, exercícios de fixação e outros.

Cada material será usado em uma diferente estratégia de aprendizado para que cada perfil de aprendizagem seja contemplado ao final da atividade.

A sala deverá estar preparada previamente, como todo o aparato tecnológico testado e validado.

Passo a passo de aplicação

1º momento (10 minutos) 

Explicar aos alunos o conceito de numerador e denominador usando a lousa interativa fazendo referência da fração com uma imagem gráfica de uma pizza.

2º momento (10 minutos)

Os alunos irão participar de um jogo interativo. A professora conduzirá o jogo na lousa interativa, estimulando os alunos a irem a frente para jogar. Isso será importante para fixar o conceito do 1º momento.

3º momento (100 minutos)

Dividir os alunos em 05 grupos e trabalhar a metodologia do ensino híbrido – rotação por estações. Cada grupo terá uma atividade diferente para contemplar os diferentes estilos de aprendizagem, mas todos com o mesmo objetivo: “Operações com Frações”. Cada grupo terá um tempo de 20 minutos em cada estação.

Estação 01: 1 mesa redonda com 5 cadeiras, 5 notebook com fone de ouvidos, com o vídeo das frações disponíveis, folhas sulfites xerocadas com a atividade a ser realizada de forma individual.

Estação 02: 1 mesa redonda com 5 cadeiras, 5 livros didáticos diferentes que contenham o conteúdo de frações e suas operações, disco de frações, caixa de pizza, cartolina, folhas sulfites xerocadas com a atividade a ser realizada de forma individual.

Estação 03: 1 mesa redonda com 5 cadeiras, 1 notebook com o jogo enigma das frações, folhas sulfites xerocadas com a atividade a ser realizada de forma individual.

Estação 04: 1 mesa redonda com 5 cadeiras, 1 bandeja de frutas (maça, banana, melão), cortadores de frutas que não causem perigo aos alunos, folhas sulfites xerocadas com a atividade a ser realizada de forma individual.

Estação 05: 1 mesa redonda com 5 cadeiras, 5 notebook com o portal do Sílabe disponível, folhas sulfites xerocadas com a atividade a ser realizada de forma individual.

4º momento (10 minutos)

Conclusão da atividade pela professora e proposta de trabalho de campo com os alunos.

Como trabalho de campo, os alunos divididos em grupo deverão escolher um local relacionado ao seu cotidiano (supermercado, feira, lojas, padaria, etc.) e procurar nestes ambientes fatos relacionados a frações e suas operações.

Como por exemplo: a situação em que a dona de casa vai a feira e tem que levar para casa apenas itens fracionados, como ½ queijo, ¼ de melancia.

Os alunos deverão frequentar o local, entrevistar o público e procurar por estas situações.

Como artefato do trabalho, os alunos deverão produzir um vídeo sobre a atividade e postar o mesmo no youtube, socializando com a turma.

Para produzir o vídeo os alunos deverão relacionar o que encontraram com os conceitos aprendidos em sala sobre frações e suas operações.

Avaliação da atividade

A avaliação será formativa através do acompanhamento e mediação do professor entre as atividades. O professor terá uma ficha avaliativa de cada aluno com o propósito de avaliar o mesmo em relação ao seu desempenho individual e em grupo.

Serão avaliados aspectos individuais como: interação com o grupo; compreensão da atividade e participação na conclusão da atividade. Já os em grupo: organização; execução e elaboração do trabalho em equipe. Para cada critério serão atribuídos notas no intervalo de 0 a 5, perfazendo ao final a média de cada aluno em cada uma das atividades propostas.

Comentários das professoras

Essa atividade é desafiadora pois demanda um bom planejamento prévio, envolvendo a análise dos estilos de aprendizagem dos alunos e a escolha das atividades e recursos.  

Mas ao mesmo tempo que é desafiadora é encantadora, pois no decorrer da atividade podemos perceber claramente o envolvimento dos alunos no processo de aprendizagem.

Nas primeiras vezes, os alunos mostram-se inquietos, curiosos para o próximo passo, as vezes não se concentram nas atividades de algumas estações.

Com o passar do tempo o professor vai retroalimentando sua prática, avaliando e fazendo os ajustes necessários para que haja mais engajamento e consequentemente mais aprendizado.

– Baixe o Plano de aula de rotação por estações da professora Leandra Vale

Professoras que fazem a diferença!

A Prática Educacional de hoje foi inteiramente produzida pelas professoras Leandra Mendes do Vale e Valéria Alves da Silva.

Leandra Mendes do Vale é graduada em Ciências da Computação (UFU) e mestra em Engenharia Elétrica (UFU), com ênfase em Ciências, Sistemas de Informação e Redes de Computadores. É especialista em Desenvolvimento JAVA (UNITRI) e em Educação a Distância (UCB – Católica Virtual). Possui experiência como Coordenadora do Curso de Sistemas de Informação do IMEPAC Araguari, sendo a idealizadora e responsável pelo Projeto de Extensão Bienal de Ideias, de estímulo à inovação e ao empreendedorismo. Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Projeto e Desenvolvimento de Softwares, tendo atuado como Diretora de TI na LS Informática Com. e Cons. Ltda. Atualmente, é professora titular e coordenadora da EaD no Instituto Master de Educação Presidente Antônio Carlos – IMEPAC Araguari.

Valéria Alves da Silva Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal de Uberlândia (1994) e mestrado em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (2006). Atualmente é coordenadora pedagógica – Colégio Nacional – Araguari e Professora no curso de Pedagogia no Instituto Master de Educação Presidente Antônio Carlos – IMEPAC Araguari .Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Teorias da Instrução, atuando principalmente nos seguintes temas: docência universitária, brincadeira, formação lúdica, docência universitária e alfabetização.

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