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Raciocínio Computacional: dê um drible nas aulas decoreba

Entenda como utilizar o raciocínio computacional para estimular o pensamento crítico e proporcionar um aprendizado significativo para seus alunos.

Nem só de transmissão vive a sala de aula

Imagino que você, [email protected], queira sempre proporcionar uma aprendizagem significativa para seus alunos, tentando colocá-los numa posição de protagonista.

Ao mesmo tempo, também imagino que você já deva ter se deparado com situações em que as metodologias ativas não se “encaixavam”. Como por exemplo, em partes do currículo que o aluno precisa decorar uma série de questões, como: identificar a escola literária, o tempo verbal, a classe e o filo de uma espécie, explicar porque aquele número é primo, ou é par e assim por diante.

De fato, trabalhar metodologias ativas nesse caso é uma tarefa desafiadora e, para te ajudar nessa jornada, a prática de hoje vai te mostrar como usar o Reconhecimento de Padrões, uma habilidade do Raciocínio Computacional, para trabalhar esses conteúdos que são mais “decoreba”.

Antes que você feche essa prática, achando que eu vou te falar como usar computador em sala de aula, a habilidade do Raciocínio Computacional está muito mais relacionada com a forma como estruturamos ideias, do que coisas tecnológicas. Não à toa, Wing (2006) nos diz que “essa habilidade é uma forma para seres humanos resolverem problemas”. Então, se ajeita na cadeira, pega sua garrafa d’água, que hoje vou te mostrar como contornar esse enorme desafio em sala de aula.


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Da computação para a vida

Jeannette Wing | Columbia University

Dentre as competências para o século 21, uma delas está relacionada com a forma como aprendemos, sendo que, o quê se aprende não deve servir apenas para ser decorado, mas também precisa ter uma aplicação prática na vida.  É nesse contexto que entra o Raciocínio Computacional, que segundo Jeannett M. Wing (2006) “é um conjunto de habilidades intelectuais e de raciocínio que indicam como as pessoas interagem e aprendem a pensar por meio da linguagem computacional”.

Essas habilidades Wing dividiu em 4 principais:

  1. Decomposição: a capacidade de reduzir um problema em partes menores, para então analisar, resolver e a partir daí recompor;
  2. Reconhecimento de padrões: a capacidade de identificar, conhecer, reconhecer e reutilizar esses padrões para solucionar problemas;
  3. Abstração: a capacidade de focar no que realmente importa, abstraindo itens menos importantes para a resolução naquele momento;
  4. Linguagem Algorítmica: conseguir descrever passo a passo, como um algoritmo, a resolução para aquele problema.

Ainda segundo Wing,

Raciocínio computacional é uma habilidade fundamental para todos, não somente para cientistas da computação. À leitura, escrita e aritmética, deveríamos incluir raciocínio computacional na habilidade analítica de todas as crianças. […] envolve a resolução de problemas, projeção de sistemas, e compreensão do comportamento humano, através da extração de conceitos fundamentais da ciência da computação.

Então, fazendo um apanhado geral, podemos compreender que a capacidade de resolver problemas deva ser trabalhada na escola, como forma de ensinar aos alunos como aprender e como construir seu próprio conhecimento. E o Raciocínio Computacional é uma grande ferramenta para isso!

Reconhecendo padrões

Nessa altura do campeonato, você já deve ter decomposto essa prática em várias unidades classificáveis na sua cabeça, então, onde ela se aplica, quando ela se aplica, em que momento se aplica, etc; já deve ter reconhecido padrões, qual teoria está por trás, quais conexões essa teoria faz com outras leituras suas; e, imagino que neste exato momento você esteja abstraindo quais as principais ideias para serem usadas em sala de aula… Se eu acertei tudo até aqui, você está no caminho certo!

A ideia agora é fazer com que seus alunos passem pelo mesmo processo que você passou, só que com uma pequena grande diferença, ao invés de você dar o caminho das pedras, algo que se faz em uma aula tradicional, você fará com que eles reconheçam os padrões por conta própria e tirem suas próprias abstrações, sendo que nesse processo você mediará com questões e pontuações.

Entendida essa visão geral, vamos decompor tudo isso em passos.

1º passo – Defina um objetivo

Para começar, o primeiro (e o principal) ponto é retomar qual é o objetivo da aula que será dada, isso porque é preciso ter muito claro onde os alunos precisam chegar.

Esse objetivo pode ser de qualquer matéria, de qualquer ano escolar.

2º passo – Explique como vai funcionar

Depois de ter claro onde os alunos precisam chegar, eles precisam entender como funciona essa metodologia.

Não precisa ir muito a fundo mostrando o que são metodologias ativas de ensino, que isso é raciocínio computacional, etc. Mas é importante para que eles entendam o processo que eles passarão e enxerguem claramente um fim naquele desafio que eles terão.

3º passo – Passe a bola para o alunos

Depois de explicar, é hora de passar a bola. Pergunte aos alunos aquilo que você quer que eles entendam. Por exemplo, “o que classifica um governo autoritário?” “o que é uma obra cubista?”, “como eu consigo identificar que um número é par, ou é ímpar”?

Quanto mais complexa a classificação, mais desafiante será para o aluno. Algo que o fará refletir sobre aquilo e, quando concluir, terá um grande significado.

Para que os alunos possam classificar as coisas, sugira que eles anotem em um papel, ou façam um mapa mental, ou até escrevam na lousa. Aquilo que for mais confortável para você e para eles.

4º passo – Instigue seus alunos para que a discussão siga melhor

Às vezes a reflexão empata, é normal, e nesse caso, é seu papel dar aquele empurrãozinho. Provoque algumas questões, faça alguns apontamentos para ajudar na discussão.

5º passo – Abstraia e encontre padrões

Depois que os alunos tiverem chegado a um nível legal de reconhecimento de padrões, os guie para pensar nos principais pontos que ajudam a classificar aquele tema.

Então, por exemplo: nas minhas aulas de lógica de programação, quando eu pergunto aos meus alunos qual a lógica para fazer um programa que diga que um número é par, aparecem inúmeras respostas, como “vai de dois em dois”, “dá pra dividir por 2”. Meu desafio é fazer com que eles concluam que um número é par quando ele divisível por 2 com resto igual a 0.

Considerações do/a professor/a

Acredito que você tenha percebido que essa atividade é relativamente simples de ser feita e de fato é. A magia do Raciocínio Computacional, é fazer com que os alunos consigam tirar as próprias conclusões e então classificar as coisas à sua volta.

Não sei se você reparou, mas, utilizando o Raciocínio Computacional você consegue fazer com que o aluno não só entenda o conteúdo da matéria, como também a forma como ele aprende as coisas. Então esse trabalho ajuda não só na sua matéria, mas também na matéria de vários outros colegas da sua escola!

Instigar leva um pouquinho mais de tempo, mas você percebe a diferença no aprendizado dos alunos.

Professores que inspiram as Práticas!

A Prática Educacional de hoje foi inteiramente produzida pela professora Claudia Coutinho.

Claudia é licenciada em Computação e professora da Educação Profissional da Rede Pública do Estado da Bahia; colaboradora/pesquisadora no Grupo de Pesquisa e Extensão Onda Digital do Programa de Pós-graduação em Ciência da Computação na UFBA. Atuou como Coordenadora de Informática Educacional, responsável pela formação de professores e implementação da disciplina de Informática no município; Atuou como Gerente de Tecnologia e, dentre outras funções, foi responsável pelos laboratórios de Informática do Proinfo – Programa de Inclusão Digital do Governo Federal e o Programa UCA – Um Computador por Aluno; Foi professora de Informática Educacional no Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos; Foi professora de cursos técnicos profissionalizantes na área de Tecnologias da Informação e Comunicação; É ativista nas discussões Por mais Mulheres na Ciência e Tecnologia.

Atualmente é professora de Computação, nas disciplinas de Lógica e Linguagem de Programação e Banco de Dados na Educação Profissional na Rede Estadual de Ensino. E também é entusiasta do Raciocínio Computacional, da Aprendizagem Significativa, das Metodologias Ativas, Computação Aplicada à Educação.

Referências

Pensamento computacional – Um conjunto de atitudes e habilidades que todos, não só cientistas da computação, ficaram ansiosos para aprender e usar.

O que é Pensamento Computacional?

Conheça as competências para o século 21

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