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Projeto Integrador: Arco de Maguerez e o protagonismo estudantil

Conheça o projeto integrador escrito pelas professoras Ana Lúcia e Maria Beaumont, mostrando como você pode pôr em prática a metodologia ativa do Arco de Maguerez para dar protagonismo aos alunos!

A realidade da educação está mudando

Em sua atuação docente, já deve ter percebido que os alunos que ingressam no ensino superior, tem chegado com uma curiosidade diferenciada daqueles alunos que se contentavam em apenas ouvir o professor, pois na atualidade, eles têm muita facilidade de acesso a qualquer informação.

Basta que se diga uma palavra e eles estão a um click de descobrir sobre o assunto.

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Porém, não basta que apenas saibam ter acesso a informação, precisam aprender a trabalhar com ela, para que se transforme em conhecimento e mais, que sejam despertados em seu aspecto crítico, como protagonistas do seu próprio aprendizado e que façam a diferença no contexto onde vivem.

Nesse sentido, apresentamos a proposta interdisciplinar da Metodologia da Problematização com o Arco de Maguerez, que permite ao professor, trabalhar teoria e prática, colocando o aluno com protagonista desse processo.


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Arco de Maguerez: uma proposta que faz o aluno colocar a mão na massa

Conduzir os alunos a problematizarem aspectos da realidade viva, relacionando-os com temas de estudo, é um fato pedagógico inegavelmente mais rico se comparado às atividades de estudo de grande parte dos programas escolares, que possuem o professor ainda a “transmitir” verbalmente o conteúdo.

Neste caso, do projeto integrador, a partir do arco de Maguerez, a participação do aluno se dá no exercício do aprender fazendo.

Ao professor, cabe conduzir o processo metodologicamente, estimular as atividades dos alunos, apoiar e valorizar as iniciativas na direção do foco maior que é a solução ao problema em estudo.

A metodologia da problematização com o arco de Maguerez é uma proposta de ensino, de estudo e de trabalho que pode ser delineada como aquela que:

“aborda situações cujos temas relacionam-se à vida em sociedade, caracterizando-se como ponto de partida e chegada dos estudos, pelos sujeitos envolvidos. A escolha por esta metodologia requer modificações na postura do professor e dos alunos, para reflexão e crítica aos temas; objetiva a mobilização dos alunos para agir politicamente enquanto cidadãos e profissionais em formação, um repensar e reconstruir a prática, aproximando o mundo da educação e o mundo do trabalho.” (PRADO et al, 2012, p.175).

Berbel (2012), defensora da Metodologia da Problematização, tem proposto como um caminho de ensino e pesquisa rico, porém complexo, o qual demanda esforços da parte dos que a percorrem, objetivando seguir as cinco etapas do Arco de Maguerez (observação da realidade e definição do problema, pontos-chave, teorização, hipóteses de solução e aplicação à realidade) e alcançar os resultados que suas características apresentam como potencial educativo.

método do arco de maguerez
  1. Observação da Realidade: um grupo de alunos desenvolve um olhar atento sobre a realidade, escolhendo algum local para realizar sua pesquisa de campo e intervenção, ao final, depois de terem selecionado um tema para estudo, no decorrer do semestre. Por exemplo: como está o processo de acessibilidade em seu município?
  2. Identificação dos pontos-chave: após observada a realidade, os alunos voltam para a sala de aula e iniciam uma discussão acerca dos fatores que podem ter sido os desencadeadores do problema observado. Relaciona-se com a identificação das variáveis determinantes do problema, ou seja, fatores que de modo direto e indireto podem interferir para o problema.
  3. Teorização: estudo em bases teóricas de pesquisas e artigos que ajudam o aluno a entender o problema, bem como a escrever sua proposta, com base em autores que já estudaram ou pesquisaram tema parecido.
  4. Construção de hipóteses de solução: neste ponto, o grupo, após ter observado a realidade, levantado os pontos chaves e ter estudado teoricamente sobre o problema, elaboram soluções possíveis e viáveis de serem aplicadas à realidade observada, na tentativa de resolver ou, quem sabe, amenizar o problema daquele contexto observado.
  5. Aplicação à realidade: é a intervenção no local, propriamente dita. O grupo de alunos, sempre sob a orientação do professor, aplica as estratégias elaboradas e depois, junto aos participantes, faz um feedback, para ter um retorno no trabalho executado.

O projeto integrador na prática

O PI é uma atividade de resolução de um problema real, constituindo-se em um desafio cognitivo, cuja solução demande pesquisa, extensão e estudo nas áreas de atuação profissional, com os seguintes objetivos:

  • Ampliar os conhecimentos teórico-práticos;
  • Desenvolver habilidades e competências das DCNs dos cursos;
  • Estimular a criatividade, a reflexão e a investigação científica, aprimorando a formação acadêmica e profissional;
  • Criar oportunidade para tornar o aluno protagonista do seu aprendizado.

Para que consigamos alcançar os objetivos propostos, seguimos o seguinte roteiro:

Explique, organize a sala e construa um roteiro

Explicar as etapas do arco aos alunos, para que entendam que o processo é uma busca por um problema a ser resolvido, a partir do relato de quem faz parte do contexto e não daquilo que o aluno acredita que precisa ser melhorado. Nesse sentido, são trabalhadas as habilidades socioemocionais além dos aspectos cognitivos, como percepção, observação e como saber se apresentar, profissionalmente, para que realize a pesquisa. Em seguida, é apresentado o tema a ser desenvolvido no semestre e a divisão dos alunos em grupos para o projeto, com no máximo seis pessoas. Ao final dessa etapa, antes de partir para observação, construir um roteiro de observação.

Estimule o pensamento crítico

De posse do registro das observações, os alunos retornam para a sala de aula e passam a apresentar o que foi registrado nas observações e, em conjunto, são levantados os pontos chave que podem ser os desencadeadores desse problema. Neste ponto, como há a participação de todos os alunos, há a possibilidade de trabalharmos o raciocínio crítico e reflexivo bem como pensarmos juntos, o que podemos fazer para melhorar nosso contexto. Ao final, são indicadas as referências para a busca e construção do processo teórico do trabalho.

Dê o protagonismo

Após a construção da teorização, os alunos pensam em estratégias que podem ser implementadas na realidade observada e aplicam as ideias, solicitando, ao final, um feedback dos colaboradores, para que possamos ter uma noção do quanto foi positiva (ou não) a intervenção realizada.

Berbel (2012) nos diz que nesse sentido, a cada etapa, realizam-se aprendizagens de várias ordens, como as de construção de instrumentos de busca de informações, tratamento das informações colhidas, análise, tomada de decisão, síntese, registros sistemáticos etc. – A relação teoria–prática é constante. Mais que isso, ocorre, nesse percurso, uma dinâmica de ação-reflexão-ação, caracterizando-se esta última como uma ação transformadora, em algum grau, ou seja, o percurso é percebido como uma forma de exercitar a práxis, entendida como uma prática consciente, refletida, informada e intencionalmente transformadora.

Comentários das professoras

Por meio dessa atividade, os papéis tanto de professores quanto de alunos são modificados, pois o professor passa a ser facilitador e mediador dessa prática e o aluno precisa tornar-se mais ativo nesse processo de ensino-aprendizagem. Ambos precisam acreditar que a realidade vivenciada pode ser modificada em prol do bem de todos.

Em um primeiro contato, parece complicado, os alunos tendem a resistir, mas à medida que veem os resultados, conseguem conciliar tanto as disciplinas como suas próprias vidas nesse processo educacional.

Conhecemos a metodologia em 2016 e, desde então, temos usado no curso de Pedagogia. Agora, em 2018, todos os cursos do IMEPAC adotam essa estratégia em seus cursos. Nosso objetivo, é que façamos projetos intercursos… aí teremos outra experiência para contar. Abraço!!

Professoras que fazem a diferença

A Prática Educacional de hoje foi inteiramente produzida pelas professoras Ana Lúcia e Maria Teresa.

Ana Lúcia Costa e Silva tem graduação em Psicologia (1997); especialização em em Psicologia Clínica e Institucional (2000) e Mestrado em Psicologia (2005) pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com experiência nas áreas de formação de professores, família e representações sociais. Foi professora substituta na UFU, no período de 2006 a 2008 e é professora do Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos de Araguari-MG (IMEPAC) desde 2000. Foi coordenadora do Núcleo de Acessibilidade e Apoio Psicopedagógico do IMEPAC por sete anos.

Maria Teresa de Beaumont tem graduação em Biologia (1989), Pedagogia (1992) e Música (1999); especialização em Pesquisa em Educação (1992) e em Educação Musical (2001) e mestrado em Educação (2003), pela Universidade Federal de Uberlândia. Foi professora no Conservatório Estadual de Música de Araguari e Centro Interescolar de Artes Raul Belém (Araguari-MG) com ênfase na formação musical de professores da Educação Básica. Atua como professora no Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos de Araguari-MG (IMEPAC), com ênfase nas disciplinas Metodologia Científica, Formação Docente e Metodologia do Ensino de Arte. Atua nessa IES como coordenadora do Curso de Pedagogia desde março de 2009.

Referências

  1. BERBEL. A Metodologia da problematização em três versões no contexto da didática e da formação de professores. 2012.
  2. PRADO et al. Arco de Charles Maguerez: refletindo estratégias de metodologia ativa na formação de profissionais da saúde. 2012.
  3. A Metodologia da Problematização com o Arco de Maguerez e sua  relação com os saberes de professores
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