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Por que Bill Gates agradece à tecnologia na sala de aula?

A pessoa mais rica no planeta começou sua história de sucesso aproveitando a tecnologia que seus professores ensinaram a utilizar, ainda no ensino médio.

 

Em um momento de transição nas estruturas educacionais, no qual o uso da tecnologia dentro da sala de aula se intensifica, é importante lembrar de algumas histórias que ilustram o quão importante é esse contato entre os estudantes e as novidades tecnológicas.

Afinal, ainda há educadores que se questionam sobre os verdadeiros ganhos que um tablet, um computador, um gadget qualquer, terá sobre a formação pedagógica das crianças.

Para deixar estes questionamentos de lado, vamos voltar ao passado. Para uma época em que a sala de aula era lousa, giz, caneta e caderno – e nada mais! Quando as aulas eram puramente expositivas e o máximo de tecnologia que havia – e isso em pouquíssimas escolas! – era aquele velho projetor de transparências ou os ainda mais antigos diapositivos…

 

bill gates e a tecnologia na sala de aula

 

A história que queremos contar hoje é a de um homem que terá seu nome perpetuamente lembrado como grande criador, inventor, filantropo… e bilionário. São vários os motivos que levaram o norte-americano Bill Gates a atingir este notável posto. Porém, um deles sempre é lembrado por Gates quando lhe perguntam o motivo de seu sucesso na vida: a boa educação que recebeu.

Mais do que boas escolas e boas notas, o fundador da Microsoft relembra que um dos principais ‘pontos da virada’ em sua vida foi o primeiro contato que teve, ainda no ensino médio, com a tecnologia – e isto ocorreu por causa da escola, dentro da sala de aula. Foi um encontro que mudou sua vida – e, posteriormente, o mundo inteiro.

 

 

O PRIMEIRO ENCONTRO DE BILL COM O COMPUTADOR FOI NA ESCOLA

 

Esta é uma história muitas vezes contada, mas vale relembrá-la pelas lições que traz. Gates sempre havia estudado em escolas públicas nos Estados Unidos durante o ensino fundamental, e tirava notas excelentes. Com o tempo, passou a se sentir desestimulado nos estudos, já que as escolas ‘tradicionais’ não apresentavam desafios ao pequeno Bill.

Dado o apreço do filho pela educação e as constantes boas notas, seus pais decidiram fazer ‘um sacrifício’ financeiro e matriculá-lo na respeitada Lakeside, um dos colégios de ensino médio privados mais exclusivos da região de Seattle, onde moravam. Tradicionalmente, o colégio formava alguns dos melhores estudantes do país. Possuía disciplina rígida e currículo puxado, porém seus professores gostavam de inovar em relação ao que de ‘extra’ poderiam oferecer aos alunos.

 

jovem bill gates

 

No ano de 1968, um grupo beneficente formado por mães de alunos do colégio Lakeside decidiu fazer algo inédito. Além de realizar as tradicionais doações a crianças pobres da cidade, o grupo iria, também, juntar dinheiro para comprar um computador para a escola! Isso era um feito e tanto: nos anos 1960, podia-se contar nos dedos o número de computadores operantes no mundo, e inclusive pouquíssimas Universidades norte-americanas possuíam um. Comprar um computador para uma escola de ensino médio poderia parecer uma extravagância, porém o grupo de mães estava certo de que o futuro passava pelos computadores, e quanto mais cedo seus filhos tivessem a chance de trabalhar com esta nova ‘máquina’, mais oportunidades teriam no futuro para conquistar um bom emprego.

Elas estavam certíssimas.

O grupo beneficente arrecadou 3 mil dólares – o equivalente hoje a cerca de 21 mil dólares, uma fortuna – e tornou Lakeside uma das primeiras escolas ‘computadorizadas’ do mundo.

 

 

REVOLUÇÃO À BASE DE PAPEL PERFURADO

 

O computador comprado para a escola, um modelo ASR-33 Teletype, hoje pode parecer uma geringonça completamente inútil. Afinal, ainda funciona à base de cartões perfurados, não possuía interface gráfica e estava longe de ser ‘user-friendly’. Um smartphone moderno possui capacidade computacional e de armazenamento milhões de vezes maior, e é muito mais simples de utilizar.

Porém, na década de 70, o ASR-33 Teletype era tudo o que foi preciso para despertar no jovem Bill Gates um interesse enorme por tecnologia, por informática e por programação.

ASR-33 Teletype
Um ASR-33 Teletype: primeiro contato de Bill Gates com a tecnologia da informática foi na escola.

 

“Era minha obsessão. Eu faltava às aulas de educação física. Ficava até a noite no computador. Programávamos mesmo durante os fins de semana. Era rara a semana em que não passávamos vinte ou trinta horas no computador”, conta Bill, em entrevista ao jornalista argentino Andrés Oppeinhemer.

Havia em Lakeside professores também entusiastas com a nova aquisição, e que ajudaram Gates a compreender seu funcionamento e o guiaram durante as primeiras ‘explorações’ no mundo virtual do ASR-33.

A partir dessa obsessão, Gates descobriu seu dom natural em programação. Seguiu os estudos na área, criou seus primeiros programas, eventualmente inventou uma plataforma visual para facilitar o uso dessas máquinas antigas – o Windows – e tornou-se, assim, uma das pessoas mais influentes de todos os tempos. Uma alta porcentagem da população mundial já utilizou, pelo menos em algum momento da vida, algum dos programas desenvolvidos pela empresa de Gates. E quase todos nós temos nossas vidas influenciadas diariamente por eles.

 

 

PROFESSORES ANTENADOS + TECNOLOGIA = SUCESSO PARA OS ALUNOS

 

Bill Gates costuma mencionar que teve ‘sorte’ ao longo da vida para chegar onde chegou. A base de seu sucesso, afirma, é a educação que recebeu. Talvez sua ‘sorte’ esteja em sempre ter sido um aluno dedicado, porém é importante notar que ele não seria o empresário que é hoje se sua escola não tivesse um computador no qual o jovem Bill descobrisse o prazer de programar. Mais do que isso: os professores do colégio deram a chance a ele de experimentar com a máquina, buscar entender como ela funcionava e criar, com ela, coisas novas. Eles abriram as portas da tecnologia ao mundo fascinante da resolução de problemas.

Segundo Gates, esse é o segredo da importância da tecnologia na sala de aula: fazer os jovens perceberem o quanto poderão criar, o quanto poderão mudar o mundo, se tiverem as ferramentas corretas e souberem utilizá-las.

Para o empresário e filantropo, os melhores professores são aqueles que ajudam as crianças a perceber seus potenciais, e usam a tecnologia para desmistificar a parte ‘árdua’ dos estudos e encantar os alunos com as possibilidades que têm em mãos. “(Os melhores professores) estão dando muita ênfase a que os estudantes façam projetos que sejam divertidos. Por exemplo, que desenhem um submarino ou um pequeno robô. E então os jovens entendem que a ciência é uma ferramenta para fazer algo que eles querem fazer, em vez de um deserto árido que é preciso atravessar para, quem sabe, chegar ao outro lado e encontrar um emprego interessante“, conta Gates.

escola em itanhaem usa tablets e tecnologia na sala de aula
Oportunidades de uso guiado da tecnologia na sala de aula são portas que se abrem para um futuro mais rico às crianças.

 

A união de tecnologia e educação vem mudando o mundo para a melhor há décadas. Atualmente, mudaram-se os equipamentos que temos em sala de aula, mas a ideia central se mantém: criar um ambiente no qual a tecnologia seja uma ferramenta para que alunos e professores ampliem suas capacidades de aprendizado e de ensino, respectivamente. Este é o segredo para criar uma geração mais capacitada e pronta para fazer um país crescer.

Quando perguntado sobre o que fazer para estimular a inovação e criar um cenário econômico mais favorável em um país, Gates é categórico: “Em primeiro lugar, oferecer uma educação de melhor qualidade nas escolas de ensino médio”. E isso passa, necessariamente, pela adoção da tecnologia em auxílio à pedagogia. Sua história pessoal mais que atesta pela eficiência do método.