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Plano de Aula, por que ainda é tão importante?

Entenda por que o plano de aulas pode ser o melhor amigo do professor – e dos alunos também!

 

Quando discutimos planos de aula, há muitos profissionais que já logo fazem careta. Afinal de contas, eles equacionam os planos a tarefas burocráticas, chatas e pouco proveitosas na ‘vida real‘. Mas será que a elaboração dos planos tem de ser assim? Será que esses documentos não podem, de verdade, ajudar a melhorar o trabalho dos professores?

Vamos mostrar que sim. Um plano de aula criado do jeito certo pode ser o melhor amigo do professor – e também dos alunos. Uma verdadeira ‘mão na roda’ que economiza tempo, ajuda a dar aulas e facilita a avaliação do conhecimento.

 

ORGANIZANDO UM COTIDIANO CAÓTICO

 

Um dos principais motivos para isso tem tudo a ver com organização. É notório, aqui no Brasil, que o dia a dia dos professores é dos mais corridos. A verdade é que quando se tem dezenas de aula a serem dadas todos os dias, às vezes em escolas diferentes, distantes umas das outras, e para turmas de idades diversas, sobra pouquíssimo tempo para longos planejamentos e elucubrações.

professora estressada
A correria do dia a dia bloqueia muitos profissionais para o que realmente importa na hora de dar aulas.

Perante essa realidade, só há um jeito de conseguir equilibrar o tempo: organizando-o de maneira a otimizar as tarefas. E este, no fundo, é um dos principais benefícios ‘ocultos’ do plano de aulas.

Vamos discutir, a seguir, este e outros pontos que tornam o plano de aulas o companheiro ideal do cotidiano profissional na educação. Antes, uma breve explicação da ‘razão de ser’ do plano.

 

O GUIA DEFINITIVO DO PROFESSOR

 

Todo professor vive em um mundo profissional burocrático, no qual há pouco espaço para espontaneidade. Assim que entra em uma sala de aula, ele sabe que precisa passar um determinado conteúdo a seus alunos. Estes, ao final da aula, precisam saber um mínimo necessário ao prosseguimento dos estudos.

O plano de aula é importante pois explicita o que são os objetivos da aula, como serão atingidos e em quanto tempo. Ele funciona como uma guia que orienta o professor sobre seus objetivos e abre um leque de opções criativas a fim de alcançá-los.

 

AS RESTRIÇÕES DO PLANO DE AULA IMPULSIONANDO A CRIATIVIDADE

 

O genial escritor italiano Umberto Eco, falecido recentemente e um dos autores mais respeitados das últimas décadas, escreveu sobre o principal segredo que o permitia criar tantos mundos imaginários críveis, tantos personagens diferentes e situações inusitadas (como por exemplo no romance medieval ‘O Nome da Rosa’, seu maior sucesso): ter um ‘cabresto’ mental.

professores - ideia para plano de aula
Muitas vezes, ideias é que não faltam para uma aula cativante; o problema é saber organiza-las e colocá-las em prática.

 

Eco explicava que a escrita criativa deve ser ‘domada’ dentro de algumas regras pré-impostas pelo autor, para que o texto fosse disciplinado e, assim, a criatividade pudesse correr solta. Por exemplo, o autor dizia que antes de começar a escrever um novo livro, criava um ‘guia’ de como o mundo da história funcionava: a narrativa se passa nos anos X, na localidade Y, as pessoas pensavam assim-e-assim naquela época, não tinha telefone celular nem internet…etc. Impondo-se essas restrições, a escrita ganhava orientações de como se manter ‘no eixo’, ajudando-o a criar uma história que fosse 100% coerente, do começo ao fim. Isso economizava muito tempo de criação, evitando desvios do objetivo e estratégias que não iriam levar a lugar algum. Metáforas à parte, a ideia do plano de aulas é muito similar ao ‘guia’ de Eco.

 

“Eu cheguei à conclusão de que um grande professor é um grande artista (…). Ensinar pode até mesmo ser a maior das artes, já que o meio é o espírito e a mente humana.”

John Steinbeck, escritor

 

Seguindo um plano de aulas bem organizado, o professor terá liberdade para abordar as temáticas de aula de maneiras criativas e eficientes, tudo dentro do prazo estipulado. Assim como o escritor se auto-impõe certos ‘limites’, dentro dos quais a história pode se desenrolar, o professor pode fazer exatamente o mesmo com a ajuda do plano.

Se o professor tiver um plano de aulas completo, que abrange todo o ano letivo e leva em consideração em quais aulas os alunos terão mais dificuldades (e quais acharão mais fáceis), terá liberdade para inovar em suas abordagens, dentro dos períodos de tempo disponíveis, a fim de alcançar seus objetivos pedagógicos.

A meta é sempre terminar o ano tendo ensinado as matérias necessárias. Como otimizar esse processo é algo que precisa de organização.

 

OS PRINCIPAIS TÓPICOS DO PLANO DE AULAS

 

Como vimos acima, a possibilidade de pensar melhor sobre como o ano letivo irá se desenvolver traz ordem ao processo educacional. Com as ideias organizadas, o professor poderá se dedicar à nobre (e complexa) tarefa de apresentar conteúdo de maneira mais eficiente para cada classe. E para isso, o plano de aulas continua sendo um companheiro valioso.

 

“Um investimento em conhecimento é o que traz os melhores juros.”

Benjamin Franklin

 

O primeiro passo para o desenvolvimento do plano de aulas é dar uma boa estudada no calendário e manter anotado, de maneira facilmente identificável, quais são os períodos totais de aulas que possui para ensinar seus alunos (considerando feriados, recessos e demais eventos). É dentro dessa dimensão temporal que todos os passos subsequentes serão dados.

A seguir, entra a etapa da problematização das temática. O professor deve adicionar um sistema de pesos e medidas para cada tópico que terá de ser ensinado ao longo do ano. Por experiência própria ou sugestão de colegas, ele saberá quais temas são mais difíceis de ensinar, quais requerem menos tempo de aula, quais são mais interessantes e quais costumam deixar as turmas entediadas e loucas de vontade de sair porta afora. Com base nessas informações, poderá alocar o tempo necessário a cada aula dentro do calendário definido anteriormente.

organização do ano letivo no plano de aula

A alocação de tempo para as aulas é um processo dinâmico. Ao longo do ano, o professor pode se surpreender ao perceber que uma turma entendeu rapidamente um assunto que parecia complexo. Ou pode precisar de mais tempo do que o previsto a fim de ensinar um conteúdo. Ter uma ‘gordurinha’ para administrar o tempo é uma boa ideia para ajudar a pensar o planejamento do ano.

Sabendo quando e o que deve ensinar, chega a hora do professor pensar no como. Aqui, o plano de aulas ajuda muito. Se o professor tiver um planejamento completo, saberá em quais aulas poderá dedicar mais tempo para atividades inovadoras, capazes de transformar positivamente a educação.

 

FAZENDO OS ALUNOS PENSAREM POR SI PRÓPRIOS

 

Uma das partes mais importantes do plano de aulas é dedicar espaço para atividades diferenciadas, pensadas a partir do ponto de vista dos alunos. Atividades nas quais os pupilos aprendem de maneira ativa, ‘botando a mão na massa’, criando, testando, treinando, errando e consertando. Essas atividades sempre tornam as aulas mais dinâmicas e interessantes, e são maneiras excelentes de conhecer melhor a turma e tornar o aprendizado mais gostoso.

Muitos professores se sentem intimidados com essas atividades de ‘mão na massa’. Principalmente por questões de tempo. Afinal, parece mais eficiente passar a matéria na lousa e pedir estudos adicionais em casa – qualquer coisa fora desse padrão seria custoso demais em termos temporais. A formação intelectual dos estudantes, todavia, exige períodos de aprendizado ativo também. Com o plano de aulas definido, o professor estará – frisamos novamente – organizado e apto a dedicar o tempo necessário a estas atividades, melhorando o processo educacional como um todo.

Você sabia que existem diversos sites e atividades online que ajudam o professor na hora de propor atividades diferenciadas para os alunos? Confira em nossa matéria especial.

 

AVALIAÇÃO NOTA 10

alunos estudando por conta própria na sala de aula

Tão importante quanto a) empenhar-se em organizar o ano letivo, b) problematizar os tópicos de ensino e c) definir a abordagem ideal para cada assunto é avaliar o plano de aula rotineiramente.

Um dos processos mais comuns de qualquer empresa ou corporação é avaliar seus planejamentos, ou seja, testar se o tempo e o dinheiro que estão sendo investidos têm dado retorno. Caso os planos estejam dando certo, ótimo; caso contrário, o quanto antes os problemas forem corrigidos, melhor.

Tal lógica é poderosa. Porém, raramente é utilizada quando falamos do trabalho individual de uma pessoa, o que é errado. A auto avaliação é um passo importantíssimo para qualquer profissional atingir seus objetivos com maior facilidade.

Professores que reservam tempo todos os meses para avaliar seu plano de aulas têm em mãos informações valiosas para melhorar o aprendizado dos alunos e otimizar seu tempo. Refletir ao final de cada aula sobre o que deu certo? O que não deu? Quais os próximos passos?  ajuda a focar esforços nas áreas do plano que realmente importam.

É interessante, também, pedir a opinião dos alunos nessas horas. Questionários ou conversar podem revelar quais estratégias de ensino estão funcionando e quais precisam de aprimoramentos. Manter anotadas estas observações ajudará, no futuro, a preparar novos planos de aula que já de cara evitam algumas armadilhas e são mais eficientes.

 

“O sinal único, exclusivo, de um conhecimento verdadeiro é a capacidade de ensinar.”

Aristóteles

 

O plano de aulas é um investimento de tempo e de energias que vale a pena. Sua função organizacional é poderosa, ajudando a administrar o tempo das aulas, a definir as melhores estratégias de ensino e a avaliar como suscitar interesse em cada classe. É um guia criado pelo próprio professor que o ajudará a ter mais confiança em seu trabalho e a dedicar a energias ao que realmente importa.