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Gestão escolar: as 9 melhores estratégias para orientar o trabalho dos professores

Estudo aponta quais são as estratégias cientificamente eficazes na hora de orientar o trabalho dos professores.

O papel do professor em sala de aula é, sem dúvida, um dos aspectos mais importantes relacionados ao processo de ensino-aprendizagem. Um bom professional, que tenha métodos eficientes de ensino, pode melhorar o desempenho dos alunos não apenas de suas turmas, mas de toda uma escola. Da mesma forma, um professor aquém das expectativas pode impactar uma classe permanentemente, dificultando a compreensão de uma disciplina e levando os estudantes a uma situação pedagógica complicada.

A fim de minimizar problemas e salientar o trabalho dos profissionais mais talentosos, gestores escolares devem saber avaliar cuidadosamente os professores que compõe seu corpo didático.

Como discutimos há pouco tempo aqui no blog da Sílabe, um estudo recente mostrou as melhores formas de conduzir essa avaliação. Mas o que fazer quando os resultados indicam que a performance do professor não está de acordo com os padrões da escola?

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BASES CIENTÍFICAS PARA O ACONSELHAMENTO

Uma nova pesquisa, realizada por Robert Coe, diretor do Centro de Avaliação e Monitoramento da Universidade de Durham, da Inglaterra, mostrou que muitas das orientações que são dadas para professores melhorarem o ensino, na verdade, não tem base científica nenhuma. São ideias, muitas vezes correntes, para as quais não há qualquer validação comprovando que elas influenciam positivamente no trabalho dos professores. Segui-las, portanto, é um gasto desnecessário de tempo e de investimento emocional, tanto para o gestor quanto para o professor.

O trabalho de Coe cita nove recomendações que um gestor pode dar para um professor com o objetivo de aprimorar as técnicas de ensino desse profissional. Segundo seu estudo, há fortes evidências de que estas técnicas melhoram a performance dos profissionais de ensino, trazendo mais qualidade para os alunos e para a escola como um todo. Acompanhe-as a seguir.

NOVE CONSELHOS PARA ORIENTAR O TRABALHO DOS PROFESSORES

1) NO COMEÇO, APRENDER DEVE SER DIFÍCIL  

alunos estudando por conta própria na sala de aula

Muitos gestores instruem seus professores a tornar o processo de aprendizado o mais simples e fácil possível para os alunos. Entretanto, um dos resultados do estudo de Coe mostrou que tornar o processo difícil e desafiador no começo pode levar os estudantes a reter mais informação no longo prazo.

Exemplo de como fazer isso é citado por Elizabeth Ligon Bjork, da Universidade de Michigan, e por Robert Bjork, da Universidade da California. De acordo com eles, estudos mostram que iniciar uma disciplina impondo desafios estimulantes aos alunos ajuda-os a perceber que pouco sabem sobre o assunto ensinado e que devem prestar mais atenção às aulas para que consigam fechar o semestre com boas notas. Ao contrário, ao iniciar os estudos com temas simples e em nada desafiadores, os alunos costumam dispender menos energia estudando a matéria e retêm menos informação com o passar dos meses.

2) ELOGIOS PODEM SER MAIS PREJUDICIAIS DO QUE BENÉFICOS

Outro erro frequente de gestores é incentivar professores a elogiar demasiadamente seus alunos. O estudo de Coe mostrou que exaltação excessiva pode ser prejudicial para o ensino – o resultado corrobora os achados de outras pesquisas, como as realizadas por Carol Dweck, psicóloga da Universidade de Stanford, e por John Hattie e Helen Timperley, da Universidade de Auckland.

Para Deborah Stipek, da Universidade de Stanford, apesar da intenção dos elogios ser encorajar os alunos, eles podem muitas vezes transmitir a ideia de que o professor tinha baixas expectativas sobre seu desempenho. Da mesma forma, Stipek diz também que, quando um aluno falha em uma atividade, é melhor reagir com uma atitude de compreensão, ajudando-o a seguir em frente, porém nunca minimizando ou relativizando o erro cometido. É mais importante mostrar como a correção de erros ajuda no crescimento pessoal.

O estudo de Coe ressalta, entretanto, que essas conclusões são abertas para interpretação, já que nenhum método é válido para todas as circunstâncias.

3) O PROFESSOR DEVE TER TOTAL DOMÍNIO SOBRE A MATÉRIA

O gestor da escola deve ter certeza de que os professores conhecem bem a matéria que lecionam. O trabalho de Coe analisou mais de 200 estudos e identificou 6 principais características de um bom professor, e uma das mais importantes é o conhecimento profundo da disciplina.

A recomendação pode parecer óbvia, mas o estudo aponta que os melhores professores possuem um alto conhecimento de sua disciplina, sentem-se genuinamente atraídos pelo assunto e que isso tem um grande impacto no desempenho dos alunos. Assim, uma ideia para gestores é estimular os professores a conhecer bem todos os aspectos relacionados a sua matéria, participando de cursos de atualização e entrando em contato com outros profissionais da área, a fim de se familiarizarem com novas metodologias de ensino.

4) NÃO HÁ EVIDÊNCIAS FAVORÁVEIS A MONTAR GRUPOS BASEADOS EM HABILIDADES

Uma estratégia comum adotada por professores para dividir a classe em grupos é colocar alunos com níveis de habilidade semelhantes juntos. O estudo de Coe, entretanto, mostra que não há evidências científicas que corroboram a eficácia dessa estratégia. O que costuma acontecer nessas situações é o professor ir rápido demais com os grupos de alunos de maior habilidade e devagar demais com os grupos de alunos de menor habilidade.

O correto, segundo os dados, é que o professor possa trabalhar em ritmos adequados com todos os alunos ao mesmo tempo, sem distinções ‘grupais’. É preciso atenção, porém: isso pode gerar uma ideia de que todos os estudantes são parecidos na mente do professor. Equilibrar a melhor dinâmica de ensino com os aspectos psicológicos da turma é um desafio que professores e gestores devem encarar juntos.

5) A RELAÇÃO ENTRE O PROFESSOR E O ALUNO É IMPORTANTE

professor-e-alunos-na-sala-de-aula

Esta é outra recomendação que pode parecer óbvia, mas que possui um impacto maior no aprendizado do que gestores e professores imaginam. De acordo com o estudo de Coe, é importante criar um ambiente na sala de aula que esteja constantemente exigindo mais dos alunos, ao mesmo tempo em que afirma a autoestima dos estudantes. O sucesso de um aluno deve ser atribuído ao seu esforço, e não a habilidades inerentes que ele possa ter.

6) NÃO SE PREOCUPE COM ESTILOS DE APRENDIZADO

Uma pesquisa mostrou que mais de 90% dos professores acreditam que os alunos aprendem melhor quando a informação é passada para eles em seu estilo de aprendizado preferido. O gestor, entretanto, deve saber que, apesar da popularidade do método, não há evidências psicológicas que ele realmente funciona, e deve discutir cada caso com seus professores.

7) RELACIONAMENTO COM COLEGAS E PAIS CONTA

relacionamento de pais e professores e alunos

O comportamento dos professores com outros colegas e com os pais dos alunos também teve impacto no aprendizado dos alunos, mostrou o estudo de Coe. Quanto mais próximos, melhores as notas. A hipótese é a de que o contato constante de pais e mestres amplifica a mensagem da importância do estudo, e, com isso, os alunos adquirem um novo senso de responsabilidade.

8) O APRENDIZADO DEVE SER PROGRESSIVO

O trabalho científico em questão mostrou também que professores devem introduzir novos conceitos de maneira progressiva. Isso significa que eles devem ensinar uma nova ideia e dar tempo para os alunos a assimilarem e praticarem antes de dar início a novos tópicos. Isso é especialmente válido em escolas que prezam pelo ‘dinamismo didático’, incentivando os professores a desenvolver técnicas ‘criativas’ a todo momento a fim de passar conteúdo aos pupilos.

9) AS CONVICÇÕES DO PROFESSOR SÃO IMPORTANTES

As razões pelas quais os professores realizam certas atividades e o que eles esperam conseguir têm efeito nos alunos. Mike Askew, autor do livro “Effective Teachers of Numeracy”, sobre métodos eficazes de ensinar matemática, afirma que quando o professor tem a convicção de que compreender a matemática é realmente importante para os jovens, o processo de ensino-aprendizagem se torna mais eficaz.

Para tanto, é importante que o currículo da escola não seja exclusivamente voltado para a resolução de provas (como ENEM ou o vestibular). O professor deve ser capaz de vislumbrar oportunidades de ensino que ajudem a criar adultos mais bem preparados para lidar com o complexo mundo em que vivemos.

No mundo das interações humanas, nada é categórico. O dinamismo impera, e é preciso muito jogo de cintura para compreender os desejos e angústias de cada um. Isso vale, inclusive, para as relações dentro de uma escola. Alunos, pais, mestres e gestores formam uma pequena sociedade centrada na educação. Como fazê-la florescer é um desafio enorme. Seguindo dicas orientadas pelas experiências passadas – e de sucesso – de outros grupos educacionais, as chances de se atingir um grau maior de qualidade nas escolas cresce a largos passos.


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