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Finlândia: 2 exemplos de estratégias de ensino de sucesso

A Finlândia ocupa posições de destaque nos rankings educacionais mundiais, e duas de suas estratégias de ensino podem ser emuladas aqui no Brasil com uma ajudinha da tecnologia.

 

A Finlândia é uma terra ainda ‘exótica’ e desconhecida para boa parte dos brasileiros. Dificilmente alguém sabe, de cabeça, quem governa o país, quem é o esportista mais famoso de lá ou qual é o principal produto de exportação. Mas todos sabemos de pelo menos três informações: que a Finlândia é um país frio, que fica na Europa e que possui um dos melhores sistemas educacionais do mundo.

A qualidade da educação finlandesa é notória. Ano após ano, teste após teste, o país garante as primeiras colocações em rankings internacionais de qualidade de ensino. Os últimos resultados dos testes PISA (realizados em 65 países, com mais de 510 mil estudantes de 15 anos), por exemplo, mostram a Finlândia em primeiro lugar no ranking dos países não-asiáticos nas categorias ‘Ciências’ e ‘Leitura’, e na 5ª colocação em ‘Matemática’.

No último rankeamento do PISA, o Brasil aparece entre os 25% de países com piores notas globais nesses três quesitos.

Qual o segredo da boa educação finlandesa? Teorias, análises e estudos há vários buscando encontrar a ‘fórmula mágica’ do sistema educacional do país nórdico. É muito comum que governantes do mundo inteiro – inclusive os últimos presidentes brasileiros – visitem a Finlândia e aproveitem para tentar descobrir qual seria o segredo de sucesso da nação. Não vamos entrar nesse mérito por ora. O que vamos focar, neste texto, é um aspecto muito interessante de como se dão as aulas na Finlândia, e que tem tudo a ver com o uso inteligente de tecnologia na sala de aula.

 

 

ENSINO INDIVIDUALIZADO, MESMO EM TURMAS GRANDES

 

Um dos fatores mais prezados pelos profissionais da educação finlandeses é a individualização do ensino. Isto é, ensinar de acordo com necessidades de cada um, pois todo aluno é uma pessoa especial e que exige atenção e cuidados específicos. É claro que, em nenhum país, há professores e tempo suficientes para tanto cuidado com cada um dos alunos – mas a Finlândia inventou maneiras criativas de lidar com o problema.

Em boa parte das escolas do nível fundamental no país, os aluninhos se acostumam a ter três professoras. Há uma professora ‘principal’, que fica à frente da sala e explica a lição do dia. Caso um aluno sinta dificuldades em entender algum ponto, ele pode pedir ajuda à professora ‘reserva’, que sempre acompanha, junto com a classe, as aulas. Essa professora tem a missão de tirar dúvidas e dar atenção especial a quem precisa, sem interromper o fluxo da aula ministrada pela primeira professora.

Quando nem a professora ‘principal’ nem a ‘reserva’ conseguem tirar as dúvidas do estudante – ou então quando a escola percebe que ele começa a ir mal nas atividades -, entra em cena uma terceira professora. Esta fica em uma sala à parte, próxima às salas de aula. Trata-se de uma profissional da educação geralmente mais experiente, e que dá aulas extras, de reforço, a alunos individuais ou em pequenos grupos.

Percebe-se que a ideia é que – de um jeito ou de outro! – os alunos têm de aprender a lição. Na Finlândia, um aluno jamais deve reprovar de ano, sentindo-se humilhado, perdendo o contato com os colegas e ficando atrasado. Ao contrário, é meta da equipe educacional fazer de tudo possível para que ele entenda as lições e avance de nível.

 

 

TECNOLOGIA PARA ADAPTAR A REALIDADE

educação finlândia - você fala finlandês
“Você fala finlandês?” – a educação da Finlândia é um exemplo que educadores e políticos do mundo inteiro gostariam de copiar.

 

Percebe-se, assim, a importância enorme que os finlandeses dão ao ensino personalizado, à adequação das estratégias educacionais às peculiaridades de cada um. Afinal, talvez sejam necessárias estratégias diversas para ensinar a toda uma classe uma mesma lição.

Se este é um dos segredos do sucesso do sistema educacional finlandês é algo que está aberto a discussões. O fato, todavia, é que o método funciona, e ajuda a formar gerações muito bem preparadas para ter sucesso nas etapas posteriores da educação formal.

 

  • Os gastos públicos com educação na Finlândia são de aproximadamente 12% do PIB.
  • O tempo médio de estudos de um finlandês é de 17 anos.
  • O índice de desemprego entre finlandeses com ensino superior completo é de 0.5%.
  • A taxa de conclusão de curso no Ensino Médio é de 93%.

 

O que pode ser feito, então, em locais como o Brasil, no qual o conceito de ter três professores por turma é algo pouco concebível para o futuro próximo?

A fim de flexibilizar a maneira como o conteúdo é passado aos alunos, muitas escolas têm optado pela adoção de plataformas digitais de ensino. Elas permitem aos professores criar, de maneira simples, atividades e planos de aula criativos, abarcando diversas estratégias diferentes para ensinar a todos os alunos com máxima qualidade. Com a ajuda da tecnologia, torna-se rápido criar e testar conteúdo educacional diferenciado, seja em forma de textos, seja de imagens, animações ou vídeos. Avaliar o impacto que este conteúdo teve sobre a classe também é facilitado por estas plataformas.

Além disso, as funções digitais das plataformas educacionais facilitam a interação com os alunos e o monitoramento das atividades. Isso é bom tanto para os professores quanto para os alunos. Em uma sociedade digital, na qual a tecnologia permeia quase todos os aspectos da vida moderna, os alunos sentem-se estimulados a compartilhar seus conhecimentos e a aprofundar os estudos em temas de seu interesse caso haja as ferramentas certas para isso e o incentivo por parte dos professores. Para estes, acompanhar o progresso da turma por meio de gráficos dinâmicos e informações atualizadas periodicamente é uma comodidade que se transforma em ações de ensino cada vez mais efetivas.

 

 

INTERAÇÃO TOTAL, COM FOCO NA EDUCAÇÃO

educação na Finlândia

 

Mas não é só por meio da estratégia de três professoras que a Finlândia se diferencia dos demais países em termos educacionais. Outra estratégia de sucesso utilizada no país é fomentar a interação entre alunos, professores e pais, para que seja criado um relacionamento construtivo focado no crescimento intelectual das crianças – e isso é feito, é claro!, com a ajuda do computador.

O sistema de educação finlandês é majoritariamente público. Existem poucas escolas privadas, que correspondem a menos de 5% dos alunos matriculados no país. Todas as escolas públicas compartilham um mesmo sistema online de acompanhamento dos alunos, apelidado de ‘Wilma’. Há, inclusive, o gracejo de que a ‘Wilma’, certamente, é a ‘professora’ finlandesa com o maior número de alunos e de turmas!

O Wilma nada mais é que uma interface amigável, acessível via internet (inclusive por smartphones), com informações atualizadas sobre o progresso educacional de cada estudante. Todos os dias, professores e professoras atualizam informações no Wilma sobre seus alunos: frequência, notas, comportamento, dificuldades etc.

Boa parte destes dados é liberado para acompanhamento pelos pais da criança, que podem, assim, ter um panorama dia a dia dos progressos de seus filhos.

Professores esperam que os pais acessem o Wilma com frequência. Afinal, é lá que deixam notinhas sobre quaisquer incidentes que possam acontecer na vida acadêmica do aluno. Caso as notas comecem a cair, é pelo Wilma que uma reunião é chamada, e os pais chegam para conversar com os professores já com total conhecimento do está ocorrendo na vida escolar do filho.

 

Um estudo de 2012 realizado pela ONG norte-americana Public Agenda perguntou a professores: “Dada a possibilidade de lecionar em duas escolas, que ficam em localidades próximas, em qual você preferiria trabalhar?”. 84% dos profissionais responderam “Na escola em que o comportamento dos alunos e o envolvimento dos pais fosse significativamente melhor”.

 

Sistemas eletrônicos como o Wilma já são implementados com sucesso em diversos países, e oferecem funcionalidades práticas e modernas aos professores e à família dos alunos. Aproveitando a conectividade que a internet oferece, tais plataformas fortalecem os vínculos entre a escola e a família, ajudando a criar um ambiente mais propício para os estudos e para a resolução, conjunta, de quaisquer problemas que os alunos possam ter.

 

Ainda haverá muito debate sobre o que torna a Finlândia esta tremenda potência educacional. Os dois fatores discutidos acima certamente fazem parte do panorama. Tanto a individualização do ensino quanto a comunicação constante entre pais e mestres – ambas auxiliadas pela tecnologia – são conceitos que ganham cada vez mais força e têm seu valor comprovado na prática.

Aqui no Brasil, muitas escolas já adotam plataformas digitais que auxiliam tanto os gestores quanto os professores e os pais a acompanhar com mais qualidade e abrangência os progressos educacionais dos jovens. E estes já podem aproveitar muito mais seu tempo em sala de aula com o suporte que os meios de estudo digitais fornecem. Ainda estamos longe de alcançar o ranking internacional de uma Finlândia, mas os primeiros passos no caminho certo estão sendo dados.