Pressione enter para ver os resultados ou esc para cancelar.

Caso: Ensino Híbrido e alunos com dificuldade de aprendizagem

Conheça o depoimento da professora Elisane Ortiz, mostrando como ela usa o Sílabe e o Ensino Híbrido para ajudar alunos com dificuldade de aprendizagem!

Ensino Híbrido e os alunos com dificuldade de aprendizagem

Ao longo do ano de 2017 desenvolvemos no Colégio Municipal Pelotense, Pelotas-RS, um projeto voltado aos alunos com dificuldades de aprendizagem. Tal projeto culminou na pesquisa de Mestrado intitulada: O apoio pedagógico no Colégio Municipal Pelotense: uma proposta a partir do modelo laboratório rotacional de ensino híbrido.

Elisane Ortiz - trabalho de mestrado
Elisane Ortiz apresentando o trabalho de mestrado

A proposta foi oferecer aos alunos encaminhados ao apoio pedagógico, uma experiência que estivesse de acordo com seus interesses, por se tratarem de nativos digitais e também oportunizar formas de aprendizagem que se tornassem significativas.

As classes de apoio pedagógico são oferecidas aos alunos da rede municipal de ensino em Pelotas-RS, que apresentam dificuldades no processo de aprendizagem.

No Colégio Pelotense, lócus deste trabalho, o apoio ocorre no turno inverso às aulas regulares dos alunos que são encaminhados pela professora a partir de uma ficha onde consta as informações do motivo do encaminhamento.

Desta forma, a professora que atua na classe de apoio terá subsídios preliminares acerca da dificuldade do aluno.

São encaminhados no máximo 5 alunos por turma que são atendidos uma vez por semana durante 1h30min.

Silabe-na-escola
classe de apoio do Colégio Pelotense

Considerando a importância do trabalho personalizado, tendo em vista que cada aluno possui sua forma de aprender, fez-se necessário pensar numa alternativa de ação pedagógica que pudesse tornar estas aulas mais interessantes aos alunos e que respeitasse seu ritmo e suas inteligências.

Esta necessidade surge, então, a partir de uma avaliação do trabalho desenvolvido onde, na maioria das vezes, fazíamos reforço de conteúdo quando na realidade o aluno que possui dificuldade não necessita tanto do reforço, pois não podemos reforçar o que ele não aprende e sim, buscar alternativas para identificar o que deve ser resgatado, pois não raras as vezes temos alunos de terceiro ano do ensino fundamental que ainda não estão alfabetizados.

Neste sentido, o apoio tem o compromisso de resgatar aprendizagens, fazer uma ancoragem a partir do que aluno já sabe e daí então traçar um ensino personalizado.

Com este problema detectado, precisaríamos de uma metodologia de trabalho que contemplasse nossos anseios e viesse ao encontro do que acreditávamos ser importante a partir dos objetivos que traçamos.

E foi aí então, que vimos no Ensino Híbrido a alternativa ideal para esta experimentação.

Ensino Híbrido ou Blended learning

Os modelos de ensino híbrido fazem parte das metodologias ativas.

Michael Horn e Heather Staker na obra intitulada “Blended: usando a inovação disruptiva para aprimorar a educação” (2015), categorizaram os modelos de Ensino Híbrido em:

Modelo de Rotação onde há a subdivisão Rotação por estações, Laboratório rotacional, Sala de aula invertida e Rotação individual

Modelo Flex; Modelo A La Carte e o Modelo virtual enriquecido.

Escolhemos para o nosso trabalho o modelo de laboratório rotacional que consiste em fazer a rotação entre a sala de aula e o laboratório de informática para o aprendizado online.

É importante salientar que ensino híbrido não é apenas o uso das tecnologias digitais em sala de aula, pois o uso simplesmente da tecnologia ou do ensino online não caracteriza o híbrido, conforme Horn e Staker:

O equívoco mais comum relacionado ao ensino híbrido é confundí-lo com ensino enriquecido por tecnologia. Muitas escolas estão implementando programas individuais nos quais cada estudante tem acesso a um computador pessoal. Contudo, a infusão de tecnologia nos ambientes escolares não é necessariamente sinônimo de ensino híbrido (HORN; STAKER, 2015, p. 36).

Neste sentido, para que o ensino seja híbrido, ele precisa conter “pelo menos algum elemento de controle por parte do estudante em termos de tempo, lugar, caminho e/ou ritmo” (HORN; STAKER, 2015, p.35).

A partir desta compreensão e com o desejo de oferecer aos alunos uma possibilidade de um ensino personalizado e que pudesse auxiliá-los no sentido de resgatar aprendizagens para que novas se consolidassem e assim contribuir para a superação de dificuldades, o próximo passo era pensar em como colocar esta proposta em prática.

Foi nesse momento, então, que pesquisando sobre plataformas que tivessem um design interessante aos alunos de anos iniciais e com dificuldades de aprendizagem, tivemos a grata satisfação em conhecer a Plataforma Sílabe. Assim, aliamos o modelo de laboratório rotacional de ensino híbrido com a Sílabe, sendo esta a plataforma utilizada no momento do ensino online no laboratório de informática.

A Plataforma Sílabe ficou assim organizada:

  • Alfabetização – contendo vídeos, atividades elaboradas pelas professoras, links para jogos didáticos online de acordo com os conteúdos, Dentro da disciplina Alfabetização ainda fizemos divisões de aulas envolvendo vogais, sílabas simples, sílabas complexas, alfabeto, encontros vocálicos, escrita, alfabetização matemática; Neste espaço organizamos atividades para alunos que estão na fase de construção da alfabetização do 1º ao 3º ano.
  • Língua Portuguesa 4º ano – com atividades de leitura, interpretação e jogos ortográficos.
  • Língua Portuguesa 5º ano – com aulas sobre encontros consonantais e dígrafos, leitura e interpretação, escrita e ortografia.
  • Matemática 5º ano – com aulas sobre expressões numéricas e tabuada.

As aulas contidas na plataforma são planejadas e postadas à medida que há necessidade, a partir da avaliação da professora do Apoio Pedagógico e também considerando os encaminhamentos realizados pelas professoras titulares.

Longe de ser conclusão… O trabalho está só começando…

A experiência do trabalho com a Plataforma Sílabe tem sido gratificante tanto para nós professoras quanto para os estudantes, pois estes viram uma possibilidade de interação com os conteúdos que representavam até então resistência devido as dificuldades encontradas.

Estas dificuldades ainda existem, pois há um grande caminho a percorrer, mas acreditar no potencial de cada aluno, dando a ele espaço e respeitando seu ritmo, demonstra respeito com a evolução cognitiva além de motivá-los a frequentarem as aulas de apoio.

Também é importante salientar que no momento que o aluno sente-se capaz, nasce nele a esperança de que pode seguir adiante e neste processo a autoestima muitas vezes abalada, ganha um papel de destaque.

Referências

PLATAFORMA SÍLABE. Disponível em www.silabe.com.br. Acesso em março/2017.

HORN, Michael; STAKER, Heather. Blended: Usando a Inovação Disruptiva para Aprimorar a Educação. Porto Alegre: Penso, 2015.

PINTO, Elisane Ortiz de Tunes. O apoio pedagógico no Colégio Municipal Pelotense: uma proposta a partir do modelo laboratório Rotacional de Ensino híbrido. Pelotas, RS, 2017. 126 f. Dissertação (Mestrado) – Instituto Federal Sul-rio-grandense – Câmpus Pelotas Visconde da Graça, Programa de Pós-Graduação em Ciências e Tecnologias na Educação. Pelotas, RS, 2017 Disponível em: http://biblioteca.ifsul.edu.br/pergamum/anexos_sql_hom81/000033/00003383.pdf .Acesso em: 11 dez. 2017.