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Defasagem dos alunos: o principal desafio no cotidiano do professor

Como lidar com classes tão heterogêneas em conhecimentos e, ao mesmo tempo, respeitar o currículo das escolas? Descubra algumas soluções criativas para o problema.

Professores de todo o país apontam a defasagem dos alunos em relação à série em que estudam como o principal problema que enfrentam na hora de cumprir o currículo escolar.

Esta é a conclusão da pesquisa “Conselho de Classe”, realizada pelo IBOPE a pedido da Fundação Lemann com mais de 1.000 profissionais de Ensino Fundamental e Médio em todo o país.

Os dados apontam também que a indisciplina e o apoio psicológico aos alunos são reconhecidos como problemas urgentes nas escolas brasileiras, porém a defasagem é o grande desafio enfrentada no dia a dia por 51% dos entrevistados.

DIFICULDADES PRÁTICAS DA DEFASAGEM DE CONHECIMENTO NA SALA DE AULA

Esta ‘defasagem’ significa, na prática, que os professores se deparam com um cenário bastante complexo na sala de aula. Alunos com conhecimentos medianos, avançados e abaixo do básico em determinadas disciplinas compartilham a mesma classe, o que dificulta sobremaneira a tarefa do professor de ensinar e transmitir conhecimentos a todos.

Para complicar ainda mais a situação, em muitas escolas existem alunos com dificuldades crônicas de aprendizado, que passaram de ano mesmo sem ter conhecimentos essenciais sobre diversas matérias. Estes estudantes encontram grande dificuldade em acompanhar o ritmo da turma, sentem-se em constante estado de tensão e frustração e são habituais fontes de indisciplina.

tecnologia tem facilitado corrigir a defasagem dos alunos

Se para os alunos a defasagem traz danos ao processo de ensino, os professores também sofrem com a situação. Como será possível atender às necessidades de todos os alunos se cada um deles se encontra em um nível de compreensão diferente? Na correria do dia a dia escolar, será possível encontrar tempo para dar uma ajuda especial a quem mais precisa?

DISTORÇÃO IDADE-SÉRIE: UM PROBLEMA NACIONAL

 

A defasagem de conhecimentos na sala de aula é um dos reflexos de um problema frequente na educação brasileira: a distorção idade-série.

Tal conceito refere-se aos estudantes que se encontram 2 ou mais anos atrasados em relação à série que deveriam estar cursando, de acordo com sua idade.

mapa distorção idade serie brasil 2014

Dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) de 2014 apontam que aproximadamente 14% dos estudantes brasileiros do Ensino Básico se encontram em quadro de defasagem.

O número pode parecer alto (e é!), mas a tendência, felizmente, é de queda. Em 2006, a porcentagem nacional dos alunos em defasagem atingia 23%.

No país, a defasagem ocorre principalmente nas escolas das regiões Norte e Nordeste. No Pará, o índice é de 26%, enquanto que na Bahia atinge os 24%. As regiões Sul e Sudeste apresentam os melhores números. Dentre os estados sulistas, o Rio Grande do Sul possuía em 2014 a maior proporção de alunos em defasagem, com um total de 14%. Em São Paulo, o índice é de 4.5% (deve-se levar em consideração as políticas públicas de não reprovação atuantes no estado).

 

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UM DESAFIO PARA SER RESOLVIDO RAPIDAMENTE

Quem vivencia a realidade da defasagem na sala de aula bem sabe: se uma solução ao problema não for encontrada rapidamente, ele acaba gerando um ciclo vicioso em que todo o processo de ensino fica seriamente comprometido.

Alunos com conhecimentos abaixo da média exigem mais tempo e dedicação do professor, o qual sofre pressão adicional a fim de ensinar a classe da maneira mais homogênea possível. Por questões de tempo e comprometimento, muitas vezes os estudantes acabam não recebendo a atenção devida, ou então toda a classe termina por ser nivelada de acordo com os conhecimentos daqueles que têm maior dificuldade. São posições delicadas para qualquer educador.

Sendo assim, confira a seguir algumas ideias para lidar com o problema da defasagem nas escolas e como corrigi-lo utilizando conceitos criativos e a tecnologia na sala de aula.

CLASSES ESPECIAIS PARA UM APRENDIZADO ACELERADO

Em 2009, o diretor Amarildo Reino de Lima foi coroado como “Gestor Nota 10” no “Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10”. Os diferenciais na escola coordenada por Amarildo foram justamente as classes especiais para resolver o problema de defasagem dos alunos.

Pouco após assumir a direção do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 427, em Samambaia, a 45 quilômetros de Brasília, Amarildo assustou-se com o fato de que cerca de 40% dos alunos haviam repetido de ano pelo menos uma vez. Desde então, sua meta foi a de reduzir ao máximo essa estatística.

“Nossa equipe se focou em bolar soluções para que os jovens voltassem a estudar com os colegas da mesma idade e superassem os problemas causados por tantos anos de repetência”, conta o diretor, em entrevista ao site Gestão Escolar.

Assim, foi criado o programa de aceleração “A Hora É Essa – Avanço Excepcional”. Após muitas conversas e reuniões com os professores e coordenadores pedagógicos, foi decidido que seriam criadas seis turmas especiais, com o intuito de ensinar o conteúdo de dois anos em um ou dois semestres. A meta era ajudar os alunos ‘atrasados’ a voltar a estudar com jovens de sua idade.

Os principais diferenciais das classes especiais:

  • Currículo selecionado com rigor
  • Mudanças obrigatórias na maneira de ensinar
  • Respeito ao feedback dos alunos
  • Envolvimento dos pais no processo de ensino e no apoio ao aluno
  • Foco em resultados

“Muitos professores estavam acostumados a dar as mesmas aulas e usar as mesmas estratégias didáticas de muitos anos”, conta Amarildo. “Passamos a ouvir mais os alunos para conhecê-los melhor e assim escolher formas mais eficientes de fazer com que aprendessem. Esse tema era constante em nossas reuniões pedagógicas”, explica o diretor.

Tanto empenho da equipe educacional mostrou resultados promissores. Ao final de 2008, 90% dos participantes do “A Hora É Essa – Avanço Excepcional” tinham recuperado pelo menos um ano escolar. A distorção idade-série foi reduzida em 25% na escola. “Hoje, nossos estudantes podem pensar em um futuro bem diferente do que a maioria imaginava ter há dois anos”, comemora Daniela da Silva, professora de Língua Portuguesa da CEF 427.

TECNOLOGIA: UMA FORTE ALIADA NA GUERRA CONTRA A DEFASAGEM

Para os professores que lecionam em escolas que já adotaram a tecnologia na sala de aula, a tarefa de ensinar diferentes grupos de alunos torna-se ainda mais fácil e proveitosa.

Ao invés de criar turmas separadas de aceleração – o que nem sempre é uma ação administrativa simples, já que envolve a coordenação das atividades de diversos professores e uma complexa readequação curricular –, professores podem adotar as plataformas digitais de ensino como braço direito na hora de combater a defasagem.

A tecnologia permite que conteúdos diferentes sejam apresentados a grupos diversos de alunos, fornecendo conhecimento extra e estimulante para quem já está adiantado e fortalecendo as bases de quem está mais atrasado.

plataformas digitais de ensino permitem estudo focado nas dificuldades dos alunos
Plataformas digitais de ensino permitem estudo focado nas dificuldades específicas de cada aluno.

Além disso, plataformas avançadas como o Sílabe permitem que os professores criem com facilidade e definam atividades específicas para cada grupo de alunos. Com poucos cliques, é possível gerar testes e conteúdo de reforço para aqueles alunos que estão com dificuldades de entender a matéria. Mais alguns cliques, e pode-se criar testes mais complexos para estimular os estudantes adiantados.

As possibilidades da tecnologia não param por aí. Funções de correção automática das lições e de envio de dados estatísticos para o educador tornam o processo de ensino muito mais prático e direcionado. Painéis mostram dados e gráficos gerais da classe e também individuais de cada aluno, o que permite ao professor acompanhar, com riqueza de detalhes, quais são os pontos fortes e os gargalos em suas turmas.

plataforma-silabe

Dessa forma, adequar o ensino às reais dificuldades de cada aluno tem se tornado uma realidade em centenas de escolas no Brasil e no mundo. A tecnologia fornece ferramentas poderosas para auxiliar os professores a aproveitar melhor seu tempo em classe. Após as aulas, os alunos podem estudar por conta própria o conteúdo selecionado pelo educador, suprindo assim as persistentes lacunas no conhecimento e ajudando a equilibrar o nível de conhecimento geral da classe.

A defasagem preocupa a maior parte dos professores no Brasil. Soluções para ela já existem – e têm se mostrado bem sucedidas –, mas exigem comprometimento de toda a equipe da escola ou a adoção das modernas ferramentas tecnológicas como apoio didático.

Os colégios que adotaram a tecnologia na sala de aula já podem criar programas efetivos de ensino, focados nas necessidades de grupos diferentes de alunos. As modernas plataformas digitais possuem as ferramentas certas para ajudar os professores a fornecer o conteúdo ideal para seus alunos. Com isso, a equipe educacional ganha flexibilidade na hora de ensinar, e os alunos podem aproveitar recursos poderosos na ‘briga’ contra a defasagem de currículo.