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Como integrar o trabalho do professor com a tecnologia em sala de aula?

Pesquisa mostra que professores estão abertos ao uso da tecnologia, porém ainda há empecilhos para implementação nas salas de aula.

Será que os professores aprovam a ‘invasão tecnológica’ que está ocorrendo nas escolas? Uma nova pesquisa buscou responder justamente a esta questão. Feita com centenas de professores, ela traz ao debate a influência da tecnologia dentro da sala de aula. Afinal, não é segredo para ninguém que aplicativos e gadgets farão parte da escola do futuro– e já fazem parte do presente de muitos colégios. Mas será que os professores sentem que essas novidades podem, de fato, melhorar o ensino ou seriam meros acessórios modernos?

De acordo com os resultados, os professores estão empolgados com as possibilidades do novo mundo digital. Porém, acreditam que falta muito para suas escolas – e eles próprios – conseguirem extrair todo o potencial das ferramentas tecnológicas no dia a dia da sala de aula.

O LADO BOM DA TECNOLOGIA

A pesquisa em questão foi realizada pela empresa de tecnologia educacional Edgenuity com mais de 400 profissionais, professores de ensino fundamental e médio dos quatro cantos dos Estados Unidos.

Segundo os resultados, 91% dos professores acreditam que a tecnologia permite que eles criem aulas e lições personalizadas, específicas para as necessidades individuais de cada estudante. Esta é uma das maiores vantagens dos sistemas eletrônicos, já que preparar uma aula costuma ser a principal ocupação de um professor, segundo vários apontamentos. Qualquer método que facilite esse processo é muito bem visto.

Os professores afirmaram que veem positivamente a tecnologia na sala de aula por diversos motivos, em especial por fornecer modalidades e ferramentas diferenciadas de ensino, engajar mais os alunos com o conteúdo ensinado e tornar a experiência didática ‘especial’. Outros motivos citados foram:

  • Oportunidade de criar e gerir projetos de pesquisa com mais facilidade (73% dos respondentes)
  • Ajudar os alunos a aprender, por meio de uma combinação de instruções diretas e auto-aprendizado (71%)
  • Habilidade de personalizar o ensino para cada estudante (67%)

TECNOLOGIA ADIANTADA, ESCOLAS DEFASADAS?

ipad moderno e tecnologia para os estudos

Apesar de tantos lados bons, a maior parte dos professores afirmou que suas escolas não possuem as melhores ferramentas tecnológicas para auxiliar no ensino. Apenas 16% dos profissionais deu ‘nota 10’ para a escola em que trabalha nesse quesito – e isso nos Estados Unidos, onde o percentual de escolas que já usam algum tipo de tecnologia moderna no dia a dia escolar é muito maior do que no Brasil.

Quase metade (48%) dos respondentes afirmou que as tecnologias educacionais em uso nas escolas está ultrapassada.

UMA QUESTÃO DE TEMPO PARA TRABALHAR

A pesquisa quis saber também como era a rotina dos professores. Eles responderam que passam um terço do tempo de trabalho em tarefas como corrigir provas e revisar o que já havia sido ensinado – ou seja, tarefas mais que necessárias, porém que não avançam o conhecimento dos alunos.

Os professores se angustiam com a falta de tempo. 61% deles afirmou que precisaria de mais tempo para planejar aulas, pesquisar conteúdo e colaborar com outros docentes, atingindo, assim, um ambiente ideal de ensino e aprendizagem.

Segundo a pesquisa, se tivessem mais tempo disponível, os professores iriam:

  1. Dedicar mais tempo aos estudantes com dificuldades;
  2. Desenvolver aulas mais criativas;
  3. Criar aulas personalizadas para seus alunos, levando em consideração suas habilidades específicas e dificuldades.

Nesses pontos, a tecnologia é vista como uma possível ‘salvação’. Ao permitirem que os professores desenvolvam aulas criativas com facilidade, criem e corrijam provas mais rapidamente e acompanhem de maneira prática o desempenho dos alunos, as novidades tecnológicas são abraçadas com entusiasmo pelos professores.

A TECNOLOGIA NÃO FUNCIONA SOZINHA!

Assim, fica bastante claro que o uso da tecnologia é bem visto pela maioria dos profissionais de ensino, principalmente por conta das praticidades que elas oferecem na hora de ensinar.

Porém, nem sempre esse entusiasmo se traduz em medidas efetivas de melhoria no ensino. Diversas tentativas documentadas de introduzir alta tecnologia na sala de aula resultaram em tentativas frustrantes. Apesar das novidades tecnológicas serem bem recebidas por alunos e mestres, o desempenho geral das turmas não melhorou significativamente.

O que estava acontecendo? Trata-se do principal gargalo atual no uso de tecnologias inovadoras na sala de aula: dar tempo e treinamento ao professor para que ele aprenda como explorar a tecnologia.

QUAL É A SUA OPINIÃO SOBRE O USO DA TECNOLOGIA NA SALA DE AULA? (responde comentando em baixo!)

  • Tenho vontade de utilizar, porém minha escola ainda não investiu nesse quesito.
  • Nunca utilizei e não vejo vantagens em utilizar métodos tecnológicos em classe.
  • Utilizo a tecnologia digital, e aprovo os resultados!
  • Utilizo a tecnologia digital, e não aprovo os resultados!

“Para acelerar o uso de tecnologia nas escolas, geralmente focava-se apenas na compra de aparelhos (como tablets), e pensou-se pouco sobre os motivos que justificam o uso de computadores na sala de aula”, disse Sari Factor, presidente da Edgenuity. “Educadores começam agora a focar em como integrar a tecnologia para melhorar o desempenho dos estudantes”.

tecnologia e livros na sala de aula

Um exemplo clássico aconteceu lá nos Estados Unidos, em 2013/2014. Nesse período, a cidade de Los Angeles decidiu que era hora de inovar. Investiu mais de 1 bilhão de dólares na compra de um iPad para cada estudante da rede pública. Um ano depois, os testes nas escolas mostraram que, estatisticamente falando, nada havia mudado na sala de aula. Faltava ter combinado com os professores o jeito certo de utilizar os aparelhos durante os cursos.

Em 2016, a Apple, fabricante dos iPads, resolveu voltar ao mundo da educação. Está investindo 100 milhões de dólares da compra – de novo! – de um iPad para cada estudante de 114 colégios de Los Angeles. Mas, dessa vez, a lição foi aprendida: junto com os tablets, as escolas ganharão a visita de um representante da empresa, que passará pelo menos 17 dias por ano ali. Esses representantes são ex-professores com vasta experiência didática e que foram treinados pela Apple a ensinar aos demais professores como aproveitar todos os benefícios da tecnologia na sala de aula. Nada de apenas ‘entregar’ tablets nas mãos dos alunos – agora, eles virão com um ‘manual de instruções’ com boas práticas e estratégias de ensino.

Professores e estudantes convivem diariamente com a tecnologia em sala de aula.

A maioria parece aprovar e gostar da ideia – e eles estão certos, uma vez que aplicativos, software, computadores e gadgets chegaram para ficar no ambiente educativo.

É preciso que as escolas invistam em tecnologia, mas também reservem tempo e recursos a fim de orientar os professores sobre as melhores práticas com os novos aparelhos. 

Afinal, tecnologia, por si só, não é uma melhoria – sua perfeita integração com o trabalhos dos profissionais de ensino é que faz toda a diferença nas notas dos alunos.