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Como será o professor do futuro?

Especialistas em educação afirmam: nas próximas décadas, professores continuarão sendo protagonistas em um ambiente de ensino dominado pela tecnologia.

 

Os rápidos avanços tecnológicos dos últimos anos vêm influenciando nossas vidas nos mais diversos aspectos, entre eles a maneira como aprendemos e adquirimos informação. Ninguém mais espera o jornaleiro entregar a edição matinal para ficar sabendo das últimas novidades – hoje, a informação está acessível em tempo real, direto da palma da mão. O mesmo ocorre com a educação, que também se adapta à nova era digital. Plantões de dúvidas muitas vezes são substituídos por buscas na internet. Ir à biblioteca tornou-se algo quase defasado para quem possui um leitor digital de e-books. Além disso, são cada vez mais frequentes os cursos e atividades de aprendizado online, nos quais os alunos aprendem com a ajuda de tutores virtuais.

Neste novo panorama, a pergunta que surge é: como será a educação no futuro? Qual será o papel da tecnologia e qual será o papel dos professores?

 

EMBATE: EDUCAÇÃO TRADICIONAL X EDUCAÇÃO ONLINE

 

Tecnologia na escola

Para avaliar como a tecnologia está impactando a educação – e como moldará o futuro do sistema educacional –, o Departamento de Educação (correspondente ao nosso Ministério) dos Estados Unidos realizou uma interessante pesquisa. O objetivo foi revisar o resultado de 99 estudos prévios, realizados entre os anos de 1996 e 2008, que comparavam a performance de alunos de um mesmo curso que receberam educação tradicional com aqueles que receberam educação online.

Aqui, “educação online” significa que o professor e o aluno se comunicavam via internet, com os alunos assistindo a vídeos, lendo textos e participando de atividades lúdicas com seus tutores por meios digitais.

Os autores da pesquisa, após analisarem milhares de dados obtidos nesses estudos, mostram que os alunos que receberam educação online tiveram um desempenho, em média, superior aos alunos que receberam apenas a educação tradicional. O resultado mostra que a educação online pode ser uma boa opção para o futuro – dadas as devidas ressalvas.

 

 

QUANDO A EDUCAÇÃO ONLINE PODE FUNCIONAR BEM

 

Os autores explicam que ainda não é possível dizer qual dos dois métodos de ensino é o mais eficaz.

Eles ilustram o ponto: na maior parte dos estudos que avaliaram os índices de sucesso da educação online, diversos parâmetros variavam bastante em relação às técnicas tradicionais de ensino. Por exemplo, quando um professor adota uma plataforma digital, geralmente utiliza táticas pedagógicas muito diferentes daquelas empregadas na sala de aula tradicional, o que dificulta uma comparação direta quanto à efetividade dos métodos. Além disso, nas pesquisas sobre educação digital, os alunos costumavam passar mais horas por dia estudando, o que pode ter influenciado os resultados.

“Provavelmente foi a combinação desses elementos que gerou as vantagens observadas”, escrevem os autores do trabalho.

Também é importante relatar que a maioria dos estudos prévios foi realizada com alunos adolescentes ou adultos, e poucos foram feitos com crianças (até 12 anos de idade). Os autores alertam que a eficácia da educação online pode ser diferente para crianças, pois o método exige que o aluno estude mais por conta própria, e crianças podem não ter essa habilidade ainda tão bem desenvolvida.

 

 

EDUCAÇÃO ONLINE: ESTIMULANDO A INTERATIVIDADE E A COLABORAÇÃO

 

Colaboração

O ponto positivo do método online é sua evolução ao longo dos últimos anos. Quando começaram a existir, os cursos online eram, em sua grande maioria, expositivos – os alunos apenas recebiam, passivamente, informações pela internet. Entretanto, cada vez mais a educação online é ativa e – mais do que isso – interativa. Isto é, os estudantes precisam manipular ferramentas online e colaborar entre si para construir conhecimentos. E isso faz toda a diferença.

Essas novas funcionalidades fazem com que a educação online seja uma promessa para, no futuro, em vez de substituir, complementar a educação tradicional.

Além disso, os avanços em tecnologias de colaboração mostram a importância enorme do trabalho em comunidade para o bom ensino digital.

A tecnologia será usada para criar novas maneiras de ensinar”, diz Philip Regier, responsável pelo programa de educação online da Universidade do Estado de Arizona. “Acho que pessoas que dizem que a educação online irá levar o ensino para fora das salas estão certas, mas acho que elas se equivocam se acham que isso tornará o ensino uma atividade independente e pessoal – o ensino precisa ocorrer em comunidade”.

 

 

COMO SERÃO OS PROFESSORES DO FUTURO?

 

Qual será o papel do professor neste futuro tecnológico?

A maior diferença entre os professores de hoje e os professores daqui a alguns anos provavelmente será que os últimos precisarão saber usar e aproveitar ao máximo as ferramentas oferecidas pela tecnologia. Não se trata apenas de aprender como utilizar um novo software – será preciso compreender o jeito certo de usar a tecnologia a seu favor, unindo suas vantagens ao lado humano do aprendizado.

É claro que os novos professores provavelmente precisarão de treinamentos especiais para aprender a lidar com as novas plataformas de ensino, mas elas prometem facilitar, e não dificultar, seu trabalho. Uma vez bem adaptados, a tecnologia deverá, por exemplo, diminuir o tempo que professores atualmente gastam com os processos de correção de provas e acompanhamento de alunos – necessários ao dia a dia estudantil, porém que consomem muito de um tempo que poderia ser empregado na preparação de aulas.

Vários especialistas em educação são categóricos: considerados esses aspectos, os professores continuarão tão essenciais no processo de ensino no futuro quanto o são hoje. A noção de que a tecnologia irá tornar o papel do educador inútil é ilusória: sempre será necessário o elemento humano para orientar os processos de aprendizado dos alunos. Por si sós, os estudantes sempre terão uma educação incompleta, independentemente do nível de sofisticação do software.

Essa é uma aposta segura. Alunos são capazes de absorver informação de livros ou vídeos sozinhos, mas o papel de um bom professor é o de ajudar a transformar essa informação em conhecimento – algo completamente diferente. Sem uma base forte de conhecimento sedimentado, nenhum aluno consegue reter e interpretar informação, muito menos utilizá-la para compreender o mundo ao seu redor.

Esta tarefa de fazer com que os estudantes desenvolvam um pensamento crítico sobre as informações que absorvem é algo intrinsicamente humano, concordam os especialistas. Em outras palavras, a tecnologia pode e, como mostra o estudo norte-americano, provavelmente ajudará cada vez mais o processo de aprendizado nas décadas vindouras – porém, o mais importante é a forma como ela será empregada. Como uma auxiliar de peso, nunca como protagonista. Caberá aos bons professores aplicar essas ferramentas da melhor maneira possível para aprimorar o processo de ensino e aprendizagem para as futuras gerações.