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Casos: usando as redes sociais a favor da aprendizagem

As redes sociais já fazem parte da vida da maioria dos brasileiros. Ao mesmo em que é traz benefícios incalculáveis, ela causa uma verdadeira dor de cabeça em várias salas de aula. Hoje você vai descobrir como tornar essa ferramenta tão poderosa em uma aliada do seu processo de ensino-aprendizagem.


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A tecnologia em sala já é o presente

A tecnologia está presente em todos os momentos das nossas vidas. E a sala de aula não fugiu dessa realidade. Muitos alunos possuem celular com acesso à internet e, infelizmente, muitos de nós professores já passamos por momentos difíceis relacionados a esse aparelho que mais parece parte do nosso corpo.

Foto por: Juranir Badaró/Macaé RJ

Precisamos nos conectar a nova realidade dos alunos

Boruchovitch e Bzneck trazem em seu livro “A Motivação do Aluno – Contribuições da Psicologia Contemporânea” fatores chave para o conhecimento sobre motivação. Para os autores o esforço é o principal indicador de motivação e só é utilizado se o aluno acreditar na capacidade do êxito.

Contudo, a falta de conexão dos conteúdos com o cotidiano do aluno, como algo externo e aparentemente sem utilidade faz com que eles desacreditem no processo, diminuindo o potencial de aprendizagem. A ausência, ou má utilização de recursos tecnológicos, são um exemplo do quanto ainda precisamos caminhar para estarmos em condições de atrair o nosso aluno. Como afirma Fonseca (1994) “percebe-se a necessidade de repensar os processos de produção e difusão do conhecimento (…), criar novas formas de trabalho (…)”.

Dessa forma, para que os alunos se engajem e acreditem na capacidade de êxito do processo, a Prática de hoje veio para te ajudar a conectar o que está mais presente na vida dos alunos, as redes sociais, com o conteúdo predeterminado, tudo isso de uma forma divertida!

Colocando as Redes Sociais em Prática

A Prática Educacional de hoje foi inspirada no trabalho do professor Marcello Bulgarelli.

Marcello tem mais de 20 anos de carreira docente no Ensino Médio, Fundamental e acompanhamento particular, ministrando aulas de Português e Inglês. Tem experiência no Ensino Superior como Educador da USP e também monitor PAE. É especialista da área de Linguagens e Códigos e orientador de TCCs pela USP. Atualmente trabalha na escola Graded – The American School of São Paulo.

A ideia é que os alunos transformem interações do mundo real em conversas no Facebook, pensando em momentos históricos (a Queda da Bastilha, a Proclamação da República), livros clássicos da literatura brasileira (Dom Casmurro, Iracema, Macunaíma), grandes descobertas científicas (primeiro vôo do 14 Bis, Arquimedes gritando EUREKA, o teorema de pitágoras, o experimento de Tales de Mileto, as histórias de Malba Tahan) e o que mais a imaginação mandar!

1º passo – Crie páginas no Facebook

Se os seus alunos são maiores de 14 anos, já podem usar o Facebook! Caso eles não forem, diga para eles pedirem ajuda para os pais, será uma oportunidade ainda maior de conexão e aprendizagem. Peça para eles criarem uma página que será usada no exercício.

2º passo – Escolha o tema

Junte os alunos em times e faça uma votação para escolha dos temas, personalidades ou momentos da história. Vale usar caixa de papelão e papéis para simular uma urna! Caso acabe em empate, peça para os grupos defenderem os seus momentos e argumentarem o porquê de ser mais interessante que os outros momentos.

Lembrando que você também pode trazer temas pré-planejados, trabalhando os temas já vistos no bimestre anterior, ou os que ainda estão por vir, fica a seu critério!

3º passo – Construa os diálogos

Após a criação, os alunos deverão construir diálogos entre as personalidades/personagens conversando sobre temas que elas poderiam ter realmente falado. Por exemplo Júlio César compartilhando estratégia de guerra com os amigos ou dando indireta para um governo inimigo.

Como avaliar os trabalhos apresentados?

A avaliação da atividade poderá se basear em quão próximas da realidade estão as interações.

  • Tal personagem poderia ter de fato falado aquilo?
  • O perfil está completo o suficiente, mostrando que o grupo entendeu o papel do personagem na história?
  • Os personagens interagiram a frequência de interação estipulada?
  • Os diálogos mostraram-se criativos e representa uma releitura fiel da história?

Você é quem determina a frequência da interação e o tempo de duração do trabalho. Por exemplo, cada personagem deverá interagir pelo menos duas vezes na semana, até que a história se complete.

Redes sociais em uma aula de humanas

Em literatura, o professor poderia pedir para que os alunos criem perfis das personagens do livro que está sendo estudado em sala. Poderia também ser de escritores/as brasileiros ou de determinada época, por exemplo. Imagina o Escobar (Dom Casmurro) adicionando a Capitu ou a Aurélia (Senhora) mudando o status do facebook para “rica”, com um meme da Carolina Ferraz.

É claro que tudo isso vai depender se a interpretação que o aluno fez do livro está dentro das possibilidades. Ele não vai poder criar diálogos em que o Bentinho seja tranquilo e confiante por exemplo, porque não faz parte da essência do personagem.

O legal de trabalhar com a disciplina de história é que todos os perfis podem estar dentro da mesma época e conversar entre si. Ou ainda personagens de diversas épocas tendo diálogos interessantes. Imagine Napoleão compartilhando seu fracasso em invadir o território Russo e Hitler relutando em dizer que é possível com sua estratégia e depois Hitler recebendo um mensagem no facebook com um “eu avisei”.

A avaliação, nesse caso, levaria em consideração os fatos históricos e as características das personalidades.

Redes sociais em uma aula de exatas

Em física, o professor poderia propor a criação de perfis de grandes cientistas de diversas épocas e criar diálogos nos quais Newton e Einstein compartilham suas descobertas sobre a gravidade por exemplo.

Avaliando o quanto os alunos absorveram sobre a teoria de cada cientista e como eles à expõe.

Esse formato é legal para todas as matérias de exatas. Podendo existir por exemplo, na disciplina de matemática, um diálogo entre Gauss e Pitágoras sobre suas descobertas. Criando um possível debate entre os pensadores.

A forma de avaliar nesse caso, valeria dos mesmos critérios do exemplo anterior.

Redes sociais em uma aula de biológicas

Em biologia, a ideia dos cientistas discutirem suas descobertas também é possível. Mas se o professor estiver se sentindo bem fora da caixa, poderia propor algo relacionado à matéria estudada no momento, como vírus e bactérias que discutem estratégias de ataque, ou gimnospermas explicando para seus brotinhos de onde vêm os bebês gimnospermas.

Referências

Caminhos da História ensinada. Selva Fonseca

A Motivação do Aluno – Contribuições da Psicologia Contemporânea. Boruchovitch, E. & Bzuneck, J.A

A MOTIVAÇÃO DO ALUNO PARA A APRENDIZAGEM. Leida Raasch

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