os próximos passos da educação

2 empresas que irão mudar a educação do futuro

Conheças empresas que pretendem mudar os rumos da educação e que se tornaram as meninas dos olhos do criador do Facebook.                                                               

 

O futuro da educação caminha lado a lado com a tecnologia. Basta olhar o cenário atual e perceber inúmero exemplos de escolas e professores que usam programas, aplicativos e gadgets para preparar aulas melhores, acompanhar com clareza o progresso dos alunos e ter uma sala de aula mais engajada.

O mundo já aproveita diversas soluções tecnológicas digitais voltadas ao setor da educação. Mas, se quisermos dar uma olhadinha para o futuro e tentar entender para onde essa parceria entre tecnologia e ensino nos levará, devemos prestar atenção em quais empresas são as meninas dos olhos dos grandes investidores.

 

 

INVESTINDO PESADO NA EDUCAÇÃO DO FUTURO

 

Atualmente, dezenas de fundos de investimento têm colocado dinheiro em empresas iniciantes, que desenvolvem estratégias tecnológicas para melhorar a educação. A aposta é que a tecnologia e a educação serão realmente inseparáveis nas próximas décadas, uma trabalhando junto à outra para fornecer as bases de florescimento de uma verdadeira sociedade da informação.

Dentre estes grupos está o de Mark Zuckerberg, o jovem bilionário e fundador do Facebook. Há alguns anos, Mark fundou a Zuckerberg Education Ventures, um fundo de investimento em educação.

mark zuckerberg - perfilOs primeiros investimento de Mark no mundo da educação ocorreram em 2010, na cidade de Newark, nos EUA. O criador da maior rede social da atualidade doou mais de 100 milhões de dólares ao município, para que melhorasse as péssimas estatísticas de performance dos estudantes.  Análises posteriores revelaram que a ideia foi mais ‘boa vontade’ do que ‘resultado’ de fato: tanto dinheiro ‘de graça’ atiçou brigas políticas, melhorou muito pouco os resultados da meninada e gerou dor de cabeça em toda a administração pública. Zuckerberg resolveu, então, partir para outra frente: financiar empresas iniciantes com ideias inovadoras e tecnológicas para aperfeiçoar o aproveitamento dos professores em sala de aula e dar maior autonomia aos estudantes, para que possam aprender por conta própria, em seu ritmo, e sob orientação ‘virtual’ de um professor.

Hoje, a Zuckerberg Education Ventures é um dos maiores fundos de investimento privado em educação no mundo, competindo com outros nomes de peso como a Fundação Bill & Melinda Gates, do fundador da Microsoft.

Desde o final do ano passado, o fundo de investimentos de Zuckerberg investiu mais de 17 milhões de dólares em duas pequenas empresas, de estrutura modesta, iniciantes no mercado e extremamente jovens, mas que guardavam ideias possivelmente revolucionárias para o futuro da educação. Vamos conhecê-las e entender por que os olhos de Mark brilharam ao ver seu trabalho.

 

“Mudanças na educação levam tempo e necessitam de foco no longo prazo. Nós nos comprometemos a trabalhar para melhorar a educação pública ao longo dos próximos anos, e a aprimorar nossa abordagem durante o trajeto” Mark Zuckerberg, fundador do Facebook

 

 

UMA PLATAFORMA PARA DESENVOLVER O RACIOCÍNIO CRÍTICO E O HÁBITO DA LEITURA

 

logo educação newsela

 

Em outubro do ano passo, o fundador do Facebook investiu 15 milhões de dólares na empresa Newsela. Criada em 2012, a Newslela desenvolve uma plataforma digital de leitura de notícias que pretende estimular o hábito de ler, aprimorar a fluência em textos não-literários, desenvolver o raciocínio crítico e facilitar o acompanhamento dos alunos pelos professores.

Todos os dias, um programa de computador desenvolvido pela Newsela filtra centenas de artigos jornalísticos, vindos dos mais confiáveis jornais e serviços de notícia dos Estados Unidos. Depois, o programa os classifica de acordo com o tema, com a dificuldade dos textos e a quantidade de palavras. Tudo para que os professores possam escolher uma temática e pedir para que os alunos leiam noticiais reais, atuais, inter-relacionadas, no nível de compreensão ideal para eles e que possam debater posteriormente as descobertas. Ainda, ao final das leituras, os alunos têm a opção de responder a questionários, que ajudam a determinar os pontos fortes e os fracos identificados durante as atividades.

exemplo do site educativo newsela

Mais de 6 milhões de alunos nos EUA já utilizam o Newsela em sala de aula. 700 mil professores já indicaram 100 milhões de artigos aos seus alunos e acompanharam o progresso das leituras através dos resultados dos testes.

Ao entrar no site, pode-se escolher temas como ‘Ciência’, ‘Guerra & Paz’, ‘Saúde’, ‘Esportes’, ‘Artes’, ‘Crianças’ e ‘Dinheiro’. Além disso, existem temáticas especialmente criadas pela equipe do site, como ‘Eleições 2016’ e ‘Discursos Famosos’. Ao entrar nas categorias, uma lista de notícias é exibida. Elas podem ser facilmente filtradas de acordo com a série escolar dos estudantes, a ‘razão’ do professor ao indicar o texto (compreensão da estrutura do texto / qual é a ideia central / argumentação etc) e a língua.

newsela exemplo interface do professor
No Newsela, professores têm acesso a dados sobre os progressos de cada um de seus alunos.

Ao acessar um dos textos, pode-se escolher o tamanho/a dificuldade da leitura, responder por escrito perguntas criadas pelos professores e responder a um quiz de múltipla escolha sobre a compreensão textual.

É possível testar gratuitamente o Newsela. Basta acessar o site oficial da empresa. Uma conta gratuita permite a leitura ilimitada dos artigos do site, em todas as variações diferentes.

Por enquanto, a interface está disponível apenas em inglês (há textos em espanhol também). Possivelmente, após o aporte de tanto dinheiro na empresa, ela logo chegue a outros países.

 

 

APLICATIVO ‘MÁGICO’ PARA FACILITAR O ESTUDO SOLITÁRIO

 

volley app educação logo

 

Em março deste ano, o fundo de investimentos de Zuckerberg colocou mais de 2 milhões de dólares em uma empresa novata, fundada em 2015 e liderada por jovens na faixa dos 25 anos.

A Volley está desenvolvendo – ainda meio em segredo, meio publicamente – um software inovador, que permitirá a qualquer estudante ter um ‘guia’ personalizado de estudos na palma da mão.

Apontado-se a câmera do celular para um livro didático, o aplicativo Volley é capaz de analisar o conteúdo da página e compreender do que se trata. A partir daí, fornece uma série de sugestões de conteúdo adicional para enriquecer os estudos e para facilitar o entendimento do tópico.

volley exemplo de uso
Exemplo de uso do app ‘Volley’. Imagem: TechCrunch

Um dos exemplos dados pelos desenvolvedores é o do estudante que está com dificuldades de compreender uma passagem específica de seu livro de Biologia que trata da fotossíntese. Ao escanear a página do material didático com a ajuda do Volley, o estudante receberá vídeos da respeitada Khan Academy que ensinam fotossíntese, sugestões de links para artigos de enciclopédias digitais e dicas de leituras feitas por professores de verdade, de carne e osso, que entendem do assunto.

Além disso, o programa será capaz de compreender que, se a temática do texto é fotossíntese, talvez seja interessante ao estudante saber um pouco mais sobre a glicólise – e, pronto!, referências e links sobre esse processo aparecerão para ele.

Para tanto, o programa envolve conhecimentos avançados de programação, análise de imagens e neurolingüística.

“O Volley pretende entender e ensinar, por meio da computação, conhecimento acadêmico avançado, ao longo dos próximos 10 anos. Nós estamos empolgados por liderar esse movimento”, escrevem os líderes da empresa em seu website.

Após anunciar o aporte de dinheiro à empresa, Mark Zuckerberg afirmou que “O que nos deixa empolgados é como esse aplicativo irá permitir aos estudantes controlar seus estudos e dirigir o próprio aprendizado”.

O aplicativo Volley ainda está em desenvolvimento e não disponível para uso. Pode-se cadastrar um e-mail no site oficial para ser um ‘tester’, porém tudo indica que poucas pessoas estão recebendo as versões de teste por enquanto.

aplicativo Volley para educação

 

 

Em uma sociedade fortemente baseada na ‘economia do conhecimento’ e que já está acostumada com salas de aula cada vez mais cheias, a educação precisará de uma mãozinha da tecnologia para conseguir conquistar as mentes dos estudantes e ensina-los a navegar com confiança pelo mundo digital. Professores e alunos têm muito a ganhar ao abraçar a tecnologia. Esse relacionamento – tudo indica – será mais que duradouro.